X hits on this document

Word document

Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas ... - page 59 / 160

440 views

0 shares

0 downloads

0 comments

59 / 160

Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

doutrina, persuadindo o ouvinte. Logo, para se ver a si o locutor concorre com o espelho, que é a própria doutrina. O ouvinte concorre com o entendimento. Pelos olhos, que representam o conhecimento, deve perceber o que está sendo anunciado pelo pregador. Por fim, Deus é a própria graça, que concorre com a luz.

Deus é o primeiro a ser desconsiderado, posto que se trata de uma proposição de fé e de uma manutenção da força da palavra divina. Analisa, na seqüência, os ouvintes, mas logo também retira-lhes a culpa. Usando de repetições e paralelismos, faz uma analogia com a parábola do trigo. Para ele há dois tipos de maus ouvintes que devem ser persuadidos com a palavra de Deus: aqueles de entendimentos agudos e os de entendimentos de vontades endurecidas. Estes seriam pedras, aqueles espinhos. Assim como o trigo conseguiu vingar entre pedras e espinhos, a palavra de Deus deveria produzir efeito entre os ouvintes agudos e os de vontades endurecidas.

Sobra-lhe o pregador. Como já apontado, o padre defende a tese de que no pregador encontra-se a falha pela não frutificação da palavra de Deus entre os ouvintes. Para ele, no bom pregador, devem concorrer cinco circunstâncias: a pessoa, a ciência, a matéria, o estilo e a voz.

O quarto capítulo trata da pessoa do pregador. Segundo Vieira, pregar é agir. O pregador deve ater-se a pregar obras e não pensamentos. Já no quinto capítulo, o padre se dedica a analisar o estilo do pregador. É nesta parte que encontramos a crítica levantada por Vieira contra os padres dominicanos, cujo estilo pautado na concepção cultista, dificultava o entendimento do sermão. Para o jesuíta, “o estilo há-de ser muito fácil e muito natural” (VIEIRA, 1955).

A matéria é o tema do sexto capítulo. De acordo com Pe. Vieira, variedade de assuntos não é sinônimo de bom sermão, já que “apostilar o Evangelho, em que tomam muitas matérias, levantam muitos assuntos e quem levanta muita caça e não segue nenhuma não é muito que se recorra com as mãos vazias” (VIEIRA, 1955). Há de se ler, no sermão, um só assunto e uma variedade de argumentos que podem se utilizar de diferentes recursos a fim de alcançar o intento: persuadir o ouvinte. É, pois neste capítulo, que Vieira conceitua o sermão (ver a citação na introdução deste artigo). O sétimo capítulo é dedicado à ciência cuja falta na figura do pregador pode prejudicar o processo de persuasão. Para Vieira, o pregar não é recitar, mas entendimento.

Finalmente, no oitavo capítulo examina a voz do pregador que deve bradar e gritar no momento certo, posto que, para Vieira, a eficácia do sermão ocorria pelo medo de Deus e temor a Ele. Assim, “há-de ser a voz do pregador, um trovão do Céu, que assombre e faça tremer o mundo” (VIEIRA, 1965).

Por fim, na peroração, o padre jesuíta busca concluir sua tese, persuadindo a platéia. Para ele, a palavra de Deus obtinha poucos resultados porque os pregadores buscavam obter efeitos literários, o que esvaziava o caráter moralizante dos sermões. É nos dois últimos capítulos que Vieira conclui sua pregação. Nele o padre busca definir a pregação que frutifica. Para ele será no temor a Deus que o pregador conseguirá persuadir o ouvinte.

Para verificar qual dos três elementos dialógicos do sermão é o fator da pouca adesão do povo ao cristianismo, Vieira utiliza-se de recursos retórico-argumentativos, tais como exemplificação, relações de causa e efeito, previsão de argumentos contrários, impugnando-os e refutando-os.

Document info
Document views440
Page views444
Page last viewedSun Dec 11 13:04:41 UTC 2016
Pages160
Paragraphs2338
Words79461

Comments