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Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

Recursos argumentativos do sermão da sexagésima

Aristóteles, em sua Arte Retórica, aponta a persuasão e o ensinamento moral como dois dos princípios da arte da argumentação. Segundo o filósofo, a eloqüência é o fio condutor das paixões provocadas no auditório pelo orador. Para que ela se dê é fundamental a arte das provas, ou seja, a arte de revelar, pelo verossímil, a verdade do discurso.

Para ele, a verdade retórica ocorre pelos processos de indução (exemplo), de silogismo e de silogismo aparente. Pela indução entende-se a capacidade persuasiva em função de sua aptidão de tornar clara aos sentidos do ouvinte a trajetória de suas provas. Em Vieira é comum a recorrência aos textos bíblicos como meio de favorecer o entendimento do ouvinte.

Já o silogismo seria o esforço de verossimilhança e de sinais propostos ao ouvinte. Isso facilita a técnica de explicitação do assunto tratado. É relevante pois permite refutar e impugnar os argumentos contraditórios. Nos sermões, notamos o esgotamento das reflexões, a ruminação do pensamento, a constante reiteração, a busca por fechar todas as possibilidades interpretativas.  O objetivo como já se sabe era convencer o ouvinte por meio do temor a Deus.

E o silogismo aparente reforça a idéia geral do público, fortalecendo o senso comum e alcançando a eficácia retórica. Esse intento é obtido pela exposição de proposições verdadeiras conformes com a opinião, levando o ouvinte ao desprendimento das coisas materiais e à busca dos ideais de amor e caridade.

Como afirma Silva (1992), é pela dúvida que Vieira “obriga seus interlocutores a duvidar, questionar circunstâncias históricas que permitem fazer florescer a onipotência”. Completa Araújo (1992) que Vieira confunde o auditório, desdobrando assim a ideologia barroca e tratando de anular qualquer possibilidade de herança renascentista. Logo, não persuade pelo esforço dialético, visto que levar à dúvida não implica fazer o ouvinte refletir profundamente o assunto pregado. Isso porque, para eliminar a reflexão puramente racional, o jesuíta circunda a temática, envolve o ouvinte em exemplos e, sobretudo, busca fechar todas as possibilidades de respostas às dúvidas.

Vieira elabora proposições de seu próprio pensamento, marcando a originalidade de seu discurso. A melhor forma que encontra para incitar a dúvida é pelo recurso das perguntas retóricas que não ficarão sem respostas. A intenção é justamente perguntar para responder. Levar o ouvinte a refletir a pergunta, mas sem lhe dar tempo para divagar sobre o assunto. Já em seguida à pergunta, o jesuíta busca provar a sua verdade e assim persuadir o seu ouvinte. É comum, então, a ocorrência do verbo provar, uma forma de não deixar o leitor sem uma resposta. Novamente, o que se pretende é que o ouvinte se convença da verdade do discurso.

Sendo, pois, certo que a palavra divina não deixa de frutificar por parte de Deus, segue-se que ou é por falta do pregador ou por falta dos ouvintes. Por qual será? Os pregadores deitam a culpa aos ouvintes, mas não é assim. Se fora por parte dos ouvintes, não fizera a palavra de Deus muito grande fruto, mas não fazer nenhum fruto e nenhum efeito, não é por parte dos ouvintes. Provo. (VIEIRA, 1965)

É, nesse sentido, que Vieira impugna e refuta idéias contrárias, direcionando o ouvinte para a compreensão daquilo que intencionalmente deva ser entendido. Foi tanto

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