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Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

ou temática. Esse fenômeno é caracterizado por Jubran (1996) como “construção por desativação”, e é justamente nessa construção que encontramos as inserções – objeto de estudo do presente trabalho.

A inserção pode provocar um ralentamento no fluxo da informação ou uma descontinuidade temática, ocorrendo sempre no interior de um tópico discursivo. Pode acumular inúmeras funções, tais como: facilitar a compreensão, introduzir explicações ou justificativas, fazer alusões a conhecimentos prévios por meio de perguntas retóricas, ilustrar, exemplificar, comentar, argumentar etc. (SILVA et al, apud JUBRAN, 1996).

Nesse sentido, levantamos a seguinte questão: como a inserção funciona em um texto oral, tendo em vista uma prática discursiva específica – a elocução formal? É válido ressaltar que estamos entendendo elocução formal como uma produção oral de interação face a face, assimétrica e hierárquica, manifestada por palestras, aulas e conferências (BRAIT, 1999).

Procuramos esboçar mais adiante, os conceitos centrais que envolvem a noção de tópico discursivo e inserção. O corpus deste trabalho corresponde às palestras intituladas “Ensino superior: Direito à inclusão” (doravante P1), proferida por Edvaldo Mendes Zulu Araújo no dia 03 de agosto de 2004, em virtude do “IV Encontro: O negro na universidade e o direito a inclusão”, realizado na UEM, e “Sistema de cotas e o direito de acesso à universidade” (doravante P2), proferida por Dora Lúcia de Lima Bertúlio, no dia 04 de agosto de 2004, em razão do mesmo evento.

1 – O tópico discursivo

Para Jubran (1990), a primeira propriedade definidora de tópico é a de centração (conteúdo, assunto ou tema), que abrange os traços de concernência (relação de interdependência semântica entre os enunciados), de relevância (destaque do conjunto de referentes explícitos ou inferíveis) e de pontualização (localização do conjunto). Sumariamente, o tópico tem por função amarrar um texto oral, estruturando-o a fim de organizar o discurso, por isso aquilo “de que se fala” não pode ser desvinculado do “como se fala”.

De acordo com Jubran (1990), o tópico define-se por unidade que comporta, além da propriedade de centração, uma segunda propriedade fundamental, a da organicidade. A organização tópica se manifesta por relações de interdependência que se estabelecem simultaneamente em dois planos: hierárquico (grau de abrangência do assunto – supertópico, subtópico) e seqüencial (continuidade e descontinuidade).

A organização dos tópicos discursivos em um texto oral depende de algumas atividades formuladoras que produzem enunciados fluentes ou não e que determinam o fluxo da informação. As formulações fluentes sem descontinuidade tópica linear são bastante raras na modalidade oral. A formulação fluente com descontinuidade são aquelas em que ocorrem suspensões temporárias do tópico em andamento, ou seja, quando o falante faz alusão a um conhecimento prévio, que constitui como um pré-requisito para o entendimento do assunto, quando fornece explicações acessórias, quando faz referência a uma ação extralingüística, quando introduz comentários ou formula questões retóricas para despertar o interesse do ouvinte.

Já as formulações disfluentes são aquelas que revelam dificuldades de processamento (hesitação) e as que se destinam a resolver problemas textualmente manifestados, isto é, as reformulações “saneadoras” (reparos, correções, repetições e paráfrases). A formulação disfluente com problemas de processamento é quase que uma tentativa de solução dos problemas imediatos, a saber: falsos começos, pausas preenchidas,

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