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Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

alongamento, repetição de sílabas ou vocábulos de pequeno porte.

Com relação ao nível seqüencial dos tópicos, encontramos dois processos básicos de articulação da linha discursiva: a continuidade e a descontinuidade.

Jubran (1990) assevera que a continuidade decorre de uma organização seqüencial dos segmentos tópicos, de forma que a abertura de um apenas se dá após o fechamento do outro. A categoria de continuidade se define por uma relação de término que ocorre na circunstância específica de esgotamento do tópico anterior e o começo de um novo tópico.

A descontinuidade, no entanto, decorre de uma perturbação na seqüência linear do discurso. São estes os aspectos que influenciam no processo do fluxo de informação: inserções, rupturas, reparo, reconstrução, repetição, adjunção e elipses. Neste artigo trataremos apenas da inserção.

2 – Inserção tópica

Como vimos anteriormente, a descontinuidade ou ralentamento temático compreende a ruptura de um tópico sem sua retomada, ou a suspensão momentânea dele em função do aparecimento de inserções, sendo em seguida, retomado. Nesse último caso, temos:

A descontinuidade é caracterizada basicamente por fenômenos de inserção, que consiste, em sentido amplo, na ocorrência de um segmento tópico no interior de um outro segmento tópico em desenvolvimento (...). Nesse sentido, as inserções implicam a retomada ou retorno do tópico anterior. A reintrodução ou retomada pode acontecer de imediato (...). Às vezes, o tópico inserido é retomado em outro ponto da conversação (JUBRAN, 1992, p.366).

Alguns recursos utilizados para a delimitação tópica (prosódia, paráfrase, marcadores discursivos, pausas), citados por Jubran (1992), também podem ser usados na determinação da inserção. A entonação de voz é uma das principais marcas, pois na maioria das vezes, o falante mantém um tom de fala até o momento da inserção, mudando-o durante a informação adjacente e retomando-o ao voltar ao tópico. Outro fator é a retomada nítida do tópico por meio de uma repetição, isto é, o falante repete a última palavra ou enunciado dito antes da inserção. Com isso, pode ou não ocorrer uma ruptura na estrutura sintática do enunciado. Em alguns casos, há o uso de conectores (pronomes, conjunções, marcadores discursivos) para recuperar o tópico ou a sintaxe rompida. Em outros, somente a questão semântica é que determina a retomada do assunto anterior à inserção.

Esses fatores auxiliam na identificação da inserção, mas para definirmos a sua função, é necessário nos atermos ao objetivo do falante ao fazer tal pronunciamento. Assim, poderemos classificar se sua intenção, por meio da inserção, foi justificar, explicar, citar, exprimir opinião, argumentar, persuadir, fazer ressalvas, entre outras características. Dentre esses tipos de inserção que podemos ter, destacamos a inserção parentética, pois essa pode conter mais de uma função, ou seja, pode haver inserções parentéticas explicativas, justificativas, entre outras, conforme sua função dentro do enunciado.

De acordo com Jubran (1996), há um fator que indica a característica oral das frases parentéticas: as mudanças prosódicas, ou seja, questões de entonação, peculiares à fala, são relevantes na identificação dos parênteses. Ainda é possível encontrar, como fator que denuncia esse tipo de inserção, parênteses que quebram a estrutura sintática do enunciado.

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