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Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

Educação de surdos: marcas da história, rastros de poder

Maria do Socorro Correia Lima

Doutora em Lingüística Aplicada PAIDÉIA/FE/UNICAMP

Penetra surdamente no reino das palavras. Lá estão os poemas que esperam ser escritos. Estão paralisados, mas não há desespero, há calma e frescura na superfície inata. Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário. (Carlos Drummond de Andrade).

RESUMO: A história da educação de surdos, em diferentes épocas, é uma história que não é contada por seus principais protagonistas: os surdos. Temos, na maioria das vezes, as representações e impressões dos ouvintes que ora trabalharam com esses alunos ora se interessaram por sua educação. O presente estudo defende a idéia de que os movimentos discursivos presentes nos textos que discutem sobre a história da educação de surdos refletem o modo como os autores da época (CARDANO, 1579; PONCE DE LEON, 1520-1584; BONET, 1620; L’EPÉE, 1750; dentre outros) reportavam-se à diferença, ao surdo e à surdez. Pelo que constatei, não existe uma história da educação de surdos plenamente registrada. E menos ainda, uma história escrita por surdos e, sobretudo fatos que ocorreram com surdos sendo pensados, refletidos e narrados por eles mesmos. Há, na verdade, uma visão de surdo, surdez, e deficiência concebida por ouvintes, desde épocas remotas até os dias de hoje, revelando, pois, marcas da história e rastros de poder.

PALAVRAS-CHAVE: Educação de Surdos; Diferença; História.

ABSTRACT: The history of deaf people education, in different occasions, is one which is not told by its main characters: deaf people. We have, mostly, the representations and impressions of hearing people who either worked with such students or were interested in their education. This study supports the idea that the discursive movements present in texts concerning the history of deaf people education reflect the manner in which authors of that time (CARDANO, 1579; PONCE DE LEON, 1520-1584; BONET, 1620; L’EPÉE, 1750; among others) referred to the difference, the deaf person and deafness. According to what I found, there is not a plainly registered history of deaf people. And even less, a history written by deaf people, and above all facts that have happened to them being thought, reflected and told by themselves. There is, in truth, a conception of the deaf person, deafness and deficiency conceived by hearing people, ever since remote times until nowadays, thus revealing marks of history and trails of power.

KEY WORDS: Deaf People Education, Difference, History.

Doutora em Lingüística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas; Pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Filosofia e Educação - PAIDÉIA/FE/UNICAMP. E-mail: socorrolima19@yahoo.com.br

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