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Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

1. Palavras iniciais

Para tecermos alguns comentários sobre o surdo e a surdez é necessário dirigir o olhar no tempo, para verificar como o surdo era educado ao longo da história.

Antes, porém, devo deixar explícito que não tenho o propósito de, neste texto, fazer um relato minucioso a respeito da história do surdo, das nuanças de sua educação e de todos os aspectos que permearam sua condição até os dias de hoje.

Somente a idéia de retratar, aqui, a trajetória educacional do surdo, em todos os seus matizes, já daria, sem dúvida, um grande tratado. O meu propósito é fornecer uma visão geral desta trajetória histórica e tentar entendê-la em seus aspectos mais relevantes para este estudo.

As informações referentes à história da educação de surdos, a seguir, foram baseadas em um apanhado histórico da educação de surdos feito pelos seguintes autores: Carlos Sánchez (1990) – La increible y triste historia de la sordera; Carlos Skliar (1997) – La educación de los sordos: uma reconstrucción histórica, cognitiva y pedagógica; Maria Cecília Moura (1996) – O surdo: caminhos para uma nova identidade.

O presente estudo defende a idéia de que os movimentos discursivos presentes nos textos que discutem sobre a história da educação de surdos refletem o modo como os autores da época (CARDANO, 1579; PONCE DE LEON, 1520-1584; BONET, 1620; L’EPÉE, 1750; dentre outros) reportavam-se à diferença, ao surdo e à surdez. Esses discursos, entretanto, demarcam alguns dos principais problemas considerados históricos até os dias de hoje. Dentre eles, destaco a prática pedagógica, o descompasso e distanciamento da escola com a realidade do surdo e a desatenção do Estado frente a estes problemas.

Apresentadas as cenas das marcas da história da educação de surdos, busco delimitar os contornos necessários para que o “cenário” possa ser mais bem visualizado e compreendido. Pelo que constatei, não existe uma história da educação de surdos plenamente registrada. E menos ainda, uma história escrita por surdos e, sobretudo fatos que ocorreram com surdos sendo pensados, refletidos e narrados por eles mesmos. Há, na verdade, uma visão de surdo, surdez, e deficiência concebida por ouvintes, desde épocas remotas até os dias de hoje, revelando, pois, marcas da história e rastros de poder Iniciemos, então, a tecer os fios dessa história.

2. A deficiente história da educação de surdos: marcas da história

A história da educação de surdos, em diferentes épocas, é uma história que não é contada por seus principais protagonistas: os surdos. Temos, na maioria das vezes, as representações e impressões dos ouvintes que ora trabalharam com esses alunos ora se interessaram por sua educação.

Educação de surdos. Dito não só impensável, mas também não palpável há cerca de 4000 anos, quando, os povos egípcios acreditavam serem os surdos sujeitos incapazes de aprender. O sujeito surdo, à luz dos antigos egípcios, não era considerado humano, haja vista que ele não usava a fala e, conseqüentemente, não conseguia se exprimir através da língua oral.

De 2000 a 1500 a.C., no Egito, as leis judaicas existentes visavam a proteger o surdo. No entanto, essas leis reconheciam que o surdo tinha direito apenas à vida e não à educação.

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