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Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

Contudo, essa não era a realidade vivenciada em todos os países. Se, por um lado, na França difundia-se o método manual para a educação de surdos, por outro, em alguns países da Europa ganhava força o método oral (sobretudo Alemanha e Inglaterra).

De acordo com Marchesi (1987) os debates realizados entre L’Epée (defensor do método manual) e Heinicke (defensor do método oral), no final do século XVIII, seriam o início da polêmica sobre os métodos educacionais para educar o surdo.

A utilização dos sinais ainda continuava sendo aceita na educação de surdos, bem como a participação de professores surdos, porém o oralismo foi ganhando força e veio a modificar esse cenário.

Na Itália (Milão), em 1880, aconteceu o segundo Congresso Mundial sobre a educação de surdos, no qual a utilização simultânea da fala e dos sinais é considerada como uma desvantagem que impedia o desenvolvimento da fala, da leitura labial e da precisão das idéias. Neste congresso, é declarado que o método oral puro deve ser adotado de forma oficial e definitiva.

Nesse sentido, o Congresso de Milão é considerado um marco na história da política institucional de erradicação da língua de sinais, e também da exclusão radical dos profissionais surdos do ambiente educacional.

No trabalho escolar, a primeira medida educacional profilática para proibir o uso da língua de sinais foi obrigar os alunos surdos a sentarem sobre suas mãos. Posteriormente, retiraram-se as pequenas janelas de vidro das portas das salas de aula para coibir a comunicação sinalizada entre os alunos. Os professores surdos e seus auxiliares foram dispensados de todas as escolas e dos institutos.

Como destaca Lulkin (1998, p.38): “Para estabelecer uma nova pedagogia e promover a educação das novas gerações de pessoas surdas, criaram-se sistemas reabilitadores altamente refinados na regulação e controle do corpo”.

Nessa ótica, gostaria de alertar para um fato que, ao longo da história da educação de surdos é recorrente, qual seja, a proibição do uso da língua de sinais. Retirando-se a língua de sinais de circulação, sobretudo do âmbito escolar, pretende-se, assim, encaminhar o surdo ao aprendizado da língua majoritária (leia-se língua oral). Consequentemente nutre-se o desejo, embora não explícito, de tornar o surdo um quase ouvinte, pois substituídos os sinais por palavras, apaga-se uma marca identitária do surdo e de sua surdez: a língua de sinais.

Destacados alguns desses mentores e os principais fatos que concorreram para o início da educação de surdos, ao longo dos últimos quatro séculos, passarei a focalizar os acontecimentos mais relevantes, que contribuíram para o início do trabalho educacional com o surdo, no Brasil.

3. Educação de surdos no Brasil: outras marcas da história

Os trajetos educacionais do surdo, no Brasil, estão intimamente relacionados com a história do Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES).

Cabe-me assinalar que em meados do século XIX, no Brasil, não existia ainda uma idéia pública no que respeita à educação de surdos e, também, as famílias ofereciam resistência em educá-los, dificultando a Huet materializar seu objetivo de educar o surdo. O fato de ele ter trazido uma carta de recomendação do Ministro de Instrução Pública da França foi, possivelmente, o que “lhe abriu as portas para criar a primeira escola de surdos no país, porém também não podemos nos esquecer de que, para desenvolver o seu trabalho, o professor Huet contava com o auxílio da nobreza ligada ao governo”. (PERLIN, 2002, p.71).

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