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Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

Crime e castigo da consciência na obra de Dostoiévski11

Patrícia de Castro Sousa

Mestranda em Letras – Estudos Literários – UFSM – Universidade Federal de Santa Maria – RS

Resumo: A partir da análise da obra Crime e Castigo à luz das teorias de Mikhail Bakhtin, o trabalho visa a apresentar as inovações formais presentes nesta obra de Fiódor Dostoiévski. São acentuados os contrastes entre as narrativas do tipo monológico e polifônico, entre a ação (o crime) e as vozes dialógicas que emergem da autoconsciência das personagens, adentrando, por conseguinte, nas implicações teórico-formais que derivam desses elementos. Alguns aspectos peculiares ao conteúdo da obra também são abordados, além da polêmica em relação ao desfecho de Crime e Castigo que pode ser interpretado monologicamente, o que diverge em relação às idéias construídas e observadas acerca do autor.

Palavras-chave: Dostoiévski; polifonia; forma.

Abstract:Through the analysis of Crime and Punishment by Mikahil Bakhtin's  theories, this work aims to show the formal innovations inside Fiodór Dostoiévski's masterpiece. The contrast between monological and polyphonic narratives, between the action (the crime) and the dialogic voices coming from each individual selfconsciousness are stressed, then going into the theoretic-formal implications derived from those elements. Some peculiar aspects of the book's content are explored, besides the polemical ending of Crime and Punishment, which can be monologically interpreted.

Key-words: Dostoiévski; polyphony; form.

Conforme reitera Bakhtin, a originalidade de Dostoiévski escapa ao aspecto conteudístico e se instala na forma da obra literária. Enquanto diversos teóricos tratam as obras do escritor russo a partir do que elas dizem, enquanto romances filosóficos, por exemplo, e, consequentemente, de cunho monológico, Bakhtin traz à tona o aspecto inovador da forma nas obras dostoievskianas. De acordo com o teórico, Dostoiévski criou um tipo inteiramente novo de pensamento artístico que ele (Bakhtin) nomeou de polifônico - e que está em oposição ao monológico ou homofônico, em que a própria etimologia da palavra sugere a predominância de uma voz, no caso, a do autor da obra. Esta originalidade se constata a partir da análise da obra Crime e Castigo onde podem ser aplicadas as teorias bakhtinianas.

Partindo da descrição do crime cometido pelo protagonista Raskólnikov, diversas características do chamado romance polifônico podem ser elucidadas. Entretanto, antes de entrar na forma propriamente dita, convém expor a originalidade de alguns aspectos do conteúdo da obra em questão. Se nas situações de praxe os crimes são envoltos de mistério acerca do autor e do motivo – freqüentemente envolvendo dinheiro ou de caráter passional - que costumam ser esclarecidos ao final da história, Dostoiévski inverte essa lógica ao

11 Artigo desenvolvido para a disciplina História e Crítica Literária, ministrada pelo Prof. Dr. André Soares Vieira, no curso de Pós-Graduação em Letras, área de concentração Estudos Literários, da Universidade Federal de Santa Maria.

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