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Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

(1992:20) “compõe-se de uma série de automatismos de identificação e pareamento das palavras do texto com as palavras idênticas numa pergunta ou comentário” o que, ainda segundo a autora, trata-se de uma “tarefa de mapeamento entre a informação gráfica da pergunta e sua forma repetida no texto”, atividade mecânica que, por sua própria natureza, nada acrescenta a um efetivo processo de leitura.

A reprodução de conhecimentos pelo aluno, reproduzidos por sua vez pelo professor através do livro didático, legitimado como autoridade institucional, detentor do saber inquestionável, conduz ao apagamento do aluno como interlocutor e à internalização de uma inculcação de incompetência para produzir conhecimentos, pois, para ele, quem sabe é o professor que traz o livro “com as respostas certas”; cabe a ele, aluno, reproduzi-las.

Dentro dessa perspectiva, manifesta-se então o grande paradoxo (ou mascaramento?) do sistema escolar: no bojo do plano diretor, referendado nos planos de ensino, são estabelecidos como objetivos gerais “a formação integral do educando, o desenvolvimento de suas potencialidades intelectuais, da reflexão e da consciência crítica a respeito de sua realidade”, mas na prática reflete uma ação pedagógica que inculca, homogeneiza, esmaga potencialidades e, conseqüentemente, esmaga a formação de uma reflexão crítica.

Um discurso escolar com uma concepção de leitura como mera decodificação e transposição de formas lingüísticas que desconsidera a heterogeneidade, constitutiva da interação em sala de aula, desconsidera a voz do outro. E a impossibilidade de concretude do deslocamento do papel do aluno para aluno-sujeito, faz com que um texto represente somente pontos pretos, sinais gráficos desprovidos de sentido o que, inevitavelmente, inviabiliza um processo efetivo de produção do próprio texto.

A leitura segundo uma concepção interacionista discursiva

Numa perspectiva interacionista discursiva, o ato de ler deve ser considerado como um processo em que ambos, professor e aluno, constituem-se como leitores e sujeitos produtores de sentido. Como os sujeitos se apropriam da linguagem socialmente, não é possível desvinculá-los do contexto sociocultural e conhecimentos socioculturalmente partilhados. Um texto não pode ser lido fora dessas condições de produção, pois o leitor está inserido dentro de um determinado contexto social, histórico, ideológico, um ser que é parte do processo histórico. Ignorar isso e limitar-se somente ao treino de estratégias lingüísticas implicam a anulação do aluno-leitor na sala de aula como leitor real.

Como professor da Escola Técnica Estadual “Prof. Armando Bayeux da Silva” (CEETEPS), trabalhando com alunos da 3ª série do curso de Mecânica do período noturno, procurei desenvolver uma ação pedagógica centrada na auto-valorização e auto-estima, numa relação dialógica voltada para a reflexão crítica sobre os seus problemas do dia a dia, suas expectativas e anseios em sua formação profissional.

Como seqüência de um trabalho com leitura e produção de texto, desenvolvido ao longo do semestre, através da exposição a textos diversos, inclusive com textos com maior grau de complexidade, como textos poéticos, propus aos alunos a leitura do poema “João sem terra” (Cassiano Ricardo)14. Entendendo que “a leitura não pode ser compreendida como um ato passivo de reconstituição” (Nery, 1990:50), a proposta visava que os alunos considerassem a sua leitura como reflexão sobre sua experiência, sua visão de mundo, procurando interpretar o dizer do outro a partir de sua própria realidade sócio-histórica, posicionando-se como sujeito da enunciação na construção do seu dizer, no processo de

14 Texto anexo.

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