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Revista Querubim – revista eletrônica de trabalhos científicos nas áreas de Letras, Ciências Humanas e Ciências Sociais – Ano 03 Nº 05 – 2007

ISSN 1809-3264

construção de seu texto escrito.

Após a leitura, alguns alunos intervieram durante a leitura questionando o “estudo do vocabulário”, o significado de algumas palavras: “complexo” (v.2), “paradoxalmente(v.14), “erra” (v.29) e, principalmente, o desconhecimento de informação contida em Não o João Sem Terra/da loura Inglaterra (vv.34-35). Admitiram, no entanto, a possibilidade de uma leitura (entre outras), através de algumas pistas lingüísticas muito fortes no texto: o próprio título, marcado seguidamente no transcorrer do texto pela expressão “sem terra” e outros itens lexicais como latifúndio, senhor feudal. Nesse sentido, concordamos com Foucambert quando diz que Aprende-se a ler aperfeiçoando-se, desde o início, o sistema de interrogação dos textos de que precisamos, mobilizando o “conhecido” para reduzir o “desconhecido” (Foucambert, 1994:31).

A proposta de produção de texto escrito imediatamente após a primeira leitura do texto “João sem terra” visava propiciar a todos os alunos a oportunidade de manifestarem a sua leitura, diante de outras possíveis leituras. Considerando que um texto é uma unidade portadora de sentidos, não de um sentido e que se pode recuperar um dos sentidos possíveis, através das pistas lingüísticas fornecidas pelo autor, a proposta levava em conta a participação dos alunos na procura de uma resposta a uma situação de desequilíbrio, sem constrangimentos ou medo.

Em sua interação com o texto, acionando esquemas cognitivos despertados pela leitura, como “leitor [que] trabalha para reconstruir [um] dito baseado também no que se disse e em suas próprias contrapalavras” (Geraldi, 1993), o aluno A G. “diz” o seu texto, ativando seu conhecimento prévio sobre a situação dos “sem terra”, construindo um novo significado, o seu dito. Ao colocar em destaque a questão dos chamados “sem terra”, numa “caminhada interpretativa” (cf. Geraldi, op.cit.), utiliza estratégias textuais que, enfaticamente, remetem ao caráter de perplexidade diante do quadro assustador com que se defronta em sua realidade presente e muito próxima, tendo “uma razão para dizer o que tem a dizer”. Inicia seu texto com uma construção argumentativa que vai do universal ao particular, mostrando explicitamente a referência intertextual, expressa pela forma remissiva em função anafórica - o pronome adjetivo demonstrativo esse: (1) Esse texto me levou a compreender que alguém, mesmo vivendo na terra, não tem um pedaço de terra. e (2) Algo muito impressionante a alguém que vive na terra como muitos brasileiros, mas sem terra, através da do sintagma em (2), como muitos brasileiros (vivem), e pela forma remissiva alguém (1) e (2)

Um tom inquiridor/inquisidor, marcado pelas reiteradas interrogações, perpassa todo o texto, expressando a perplexidade do aluno diante do drama vivido não por um grupo restrito de pessoas, mas um ‘povo’ -“esse povo” (6) sem terra (muitos brasileiros). A maior parte das construções interrogativas vem marcada graficamente pelo sinal de interrogação, mas não em (5), em que novamente a intertextualidade é presentificada através 1) da forma infinitiva lembrar (aqui grafada lebrar, acompanhada da preposição Em, ao invés de Ao lembrar-me) e de 2) da forma remissiva anafórica - artigo definido o, na contração de+o (do): Em lebrar do texto: “sub-João”; quantos brasileiros vivem num mundo, onde os ricos da terra estão cada vez mais rico (?). O sinal de interrogação marcado em (7) Um povo humilde, vive sem terra, e espera numa mudança na política, e então, quem sabe, isso tudo acabe e tenha terra para todos?, através da expressão de dúvida quem sabe (=talvez, é provável parece inquirir e, ao mesmo tempo, duvidar de uma possível solução (terra para todos) e manifestar sua descrença numa transformação por ação da classe política (numa mudança na política). As formas remissivas demonstrativas -isso/tudo- remetem, anaforicamente, a todo o contexto anterior e que norteia a estruturação do texto: a exclusão de muitos brasileiros na busca de um pedaço de terra. A tênue

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