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CARLOS GOMES

Lauro Machado Coelho

Em A Ópera Italiana Após 1870

Editora Perspectiva (2002)

1- INTRODUÇÃO

NA BIBLIOGRAFIA padrão de História da Ópera, não é comum encontrar a obra do brasileiro Antônio Carlos Gomes (1836/1896) estudada dentro do contexto a que efetivamente pertence: o da transição pós-verdiana na Itália. O musicólogo inglês Julian Budden é um dos raros estudiosos a tentar compreender dessa maneira o compositor brasileiro. Em “A Problem of Identity”, no vol. 3 de seu excepcional The Operas of Verdi,  é ao lado de Boito, Ponchielli, Franchetti e Catalani que o coloca, no capítulo em que faz o balanço da situação da ópera italiana nos anos de crise e profundas transformações que precedem a revolução realista. Mas essa demonstração de clarividência de Budden é um caso isolado.

Em A Short History of Opera, o americano Donald Jay Grout, de hábito um historiador judicioso, não menciona Carlos Gomes em conexão com as mudanças que estão ocorrendo nesse período. Prefere relegá-lo ao capítulo sobre as escolas nacionais, no subtítulo “Espanha, Portugal e América Latina”. E ainda cita seu nome errado: Carlos Antônio Gomes. Nesse ponto, em todo caso, a culpa não é exclusivamente sua. Esta é a forma como o nome de nosso patrício está registrado no Dizionario Ricordi dei Musicisti – o que é aberrante, em se tratando de obra publicada pela editora que detém os direitos sobre suas partituras.

Há casos piores: em Mascagni, obra coletiva da Electa Editrice dedicada ao estudo do autor da Cavalleria, há um detalhado ensaio de Guido Salvetti sobre o ambiente musical em que esse compositor se formou e desenvolveu. Ali, encontramos referência à “luxuosa ambientação mexicana do Guarany”! Mas Salvetti, infelizmente, não é o único. Jean-François Labie, autor do capítulo “L’Opéra Italien: l’après Verdi”, na Histoire de la Musique Occidentale, organizada por Jean e Brigitte Massin, atribui a Gomez (sic) a autoria da Marion de Lorme – que é de Ponchielli. Confirma-se assim haver musicólogos europeus que até hoje ouvem o galo cantar sem saber onde! O próprio David Kimbell, cujo Italian Opera é um texto fundamental, só registra Carlos Gomes de raspão, fazendo dele um mero epígono de Filippo Marchetti – cujo Ruy Blas (1869) introduziu na Itália a fórmula do grand opéra meyerbeeriano (ver A Ópera Romântica Italiana, desta coleção).

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