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vulgar”. Bem mais favorável foi a apreciação de Antônio Ghislanzoni – futuro libretista e amigo pessoal do compositor – na Gazzetta Musicale di Milano de 27 de março.

7- O GUARANY NO BRASIL

Pela ópera, o compositor seria também condecorado, na Itália, em 20 de março, como Cavaleiro da Coroa; e no Brasil, em 30 de novembro, com a Ordem da Coroa. Uma execução parcial ocorreu em 17 de setembro de 1870, no Teatro Fluminense, sob a regência do próprio Gomes. Antes disso, Carlotta Patti já incluíra árias da ópera em um recital de 8 de agosto. Mas a primeira execução completa no Rio de Janeiro, ainda sem a abertura, foi em 2 de dezembro daquele mesmo ano, dia do aniversário de D. Pedro II. Ocorreu no Teatro Provisório, também chamado de Lírico, no atual Campo de Santana (demolido em 1878). Angelo Agostini regeu o espetáculo de que participavam Luigi Lelmi e Giulia Gasc, Domenico Orlandini como o vilão e Christiano Marziali com o Cacique. Na carta que escreveu a D’Ormeville do Rio, em 6 de outubro, dizendo ter chegado são e salvo “à terra dos guaranis”, Carlos Gomes se vangloriava das ovações recebidas: “eles perderam a cabeça...” Mas referia-se em termos muito críticos ao que seria a encenação em casa:

“Os artistas não são nem a Sass nem o Villani mas Lelmi e Gasc, Orlandini e Marziali. E o corpo de baile? Quatro rãs a pular no lugar das bailarinas! Os figurantes são todos soldados de um regimento de um quartel do Rio!!! Será mesmo uma festa digna de risos, mas eu... penso no dinheiro, o resto é por conta de quem se diverte.”

Alencar, ao assistir à récita de dezembro de 1870, comentou, em texto recolhido nas suas Reminiscências, publicadas em 1908:

“O Carlos Gomes fez do meu Guarani uma embrulhada sem nome, cheia de disparates, obrigando a pobrezinha da Ceci a cantar duetos com o cacique dos aimorés, que lhe oferece o trono de sua tribo, e fazendo Peri jactar-se de ser o leão de nossas matas. Desculpo-lhe, porém, tudo, porque daqui a tempos, talvez por causa das suas espontâneas e inspiradas melodias, não poucos hão de ler esse livro, senão relê-lo – e maior favor não pode merecer um autor.”

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