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de incluir no Guarany um balé exótico, orquestrado com todo brilho, e que desafiava as tradições italianas, o que induziu Verdi a seguir seu exemplo na Aida?”

9 - RAZÕES DO SUCESSO

Essa última frase de Budden acena para uma das razões do sucesso do Guarany na Itália: a sua inserção na voga do exotismo de matriz francesa, na trilha de óperas de grande apelo popular na época: a Africana, de Meyerbeer, a Lakmé, de Delibes, os Pescadores de Pérolas, de Bizet – a que Aida, de Verdi, cuja composição é do mesmo ano, também se filia. Ao lado disso, Gomes mostrava-se fiel aos mais ortodoxos preceitos do melodrama italiano, num momento em que certos setores temiam a possibilidade de o modelo nacional de ópera se desvirtuar em contato com as idéias wagnerianas. Ou seja, como diz Conati:

“É verdade que, depois do Guarany, Gomes progrediu muito, mediante o enriquecimento do instrumental técnico e um maior refinamento da expressão: isso fica claro à simples leitura e análise das óperas que vieram depois. Mas a análise musical permanece estéril se não for acompanhada de uma visão histórica dosa fatos culturais e do significado que eles representam, principalmente quando se referem ao complexo fenômeno de costume que é o teatro – sem o que, prfeição técnica, expressão refinada, limpeza formal são meras virtudes abstratas. A fortuna de uma ópera é, no fundo, diretamente proporcional ao grau em que, bem ou mal, ela consegue representar a realidade do tempo a que pertence e à força de comunicação que consegue imprimir à sua própria mensagem, mediante uma linguagem que, sob certos aspectos, seja novo e pessoal, ou aparentemente tal. Essa correspondência com a realidade cultural de seu tempo, nós a encontramos, no Guarany – ainda que de maneira às vezes elementar, as sempre com imediateza de expressão –, mais do que nas obras posteriores e melhores de Gomes, à exceção da Fosca.”

O novo e o pessoal estão presentes em Il Guarany, e de forma que não é apenas aparente. Se não há motivo, como quer Leo Laner, para que se supervalorize a obra mais conhecida de nosso compositor, é também injusta a afirmação de Wilson Martins, no terceiro volume da História da Inteligência Brasileira, de que ela “é o triunfo enganador de fórmulas musicais esgotadas”. Contestando essa opinião, Marcus Góes pergunta:

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