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11- VIDA DE FAMÍLIA ATRIBULADA

Em 30 de dezembro de 1871, oito meses depois de voltar à Itália, Carlos Gomes casou-se, na Igreja de San Carlo, com Adelina Peri, pianista bolonhesa que conhecia desde os tempos de estudante. Embora a princípio a família Peri se opusesse ao namoro da filha com “um selvagem cor de bronze”, aceitou o casamento porque Adelina estava grávida – e, afinal de contas, havia a atenuante de o “selvagem” ter-se tornado compositor de sucesso, cavaleiro da Coroa da Itália. Diz Marcus Góes:

“Não foi, desde o início, um casamento de conto de fadas, e o comportamento de CG em relação à mulher e aos filhos, mais tarde, irá mostrá-lo um marido mal humorado, a maltratar a mulher indefesa diante de suas iras repentinas, e um pai que assustava os filhos, de quem se afastava com freqüência, com seu rigor e seus rompantes. A filha Ítala, apesar de exaltá-lo em sua biografia, fala também desse eterno mau humor e nervosismo, lamentando-os. E um dos grandes amigos de CG, André Rebouças, assim se refere ao casal: Adelina ‘tem uma voz dulcíssima, e há nela uma irradiação de bondade e de amor que contrasta com o agreste marido... sempre impaciente e mal humorado. (...) Dir-se-ia uma ovelha ao lado de um leão’.”

A alta taxa de mortalidade infantil na Itália da época – de que fora vítima o próprio Verdi – fez com que três dos cinco filhos do casal morressem muito pequenos: Carlotta Maria, a primeira, Mario Antônio, o terceiro, e Manuel José, o quarto. O segundo filho, Carlos André, afilhado de André Rebouças, era doente e morreu em 1898, com 25 anos de idade. Apenas Ítala Maria teve vida mais longa: morreu no Rio de Janeiro em 1948. O casamento atribulado, a paternidade, a perda prematura dos filhos contribuíram para fazer de Carlos Gomes um homem mais agitado e nervoso – e agravaram certamente a insegurança de que logo daria mostras.

12- NOVO PROJETO

Logo depois de casar-se, Carlos Gomes lançou-se a novo projeto. Chegara a hora de livrar-se da aura de exotismo que Il Guarany criara à sua volta, e de demonstrar que poderia competir, em pé de igualdade, com os compositores europeus, em termos de temática e linguagem musical. Trabalhou durante algum tempo em I Moschettieri, de que D’Ormeville lhe preparara o libreto. Mas logo desinteressou-se dela, preferindo um outro

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