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Querer estudar Carlos Gomes dentro do movimento das escolas nacionais sul-americanas é tão absurdo quanto se esquecer que os italianos Cherubini e Spontini ou os alemães Meyerbeer e Offenbach pertencem à História da Ópera na França, e não à de seus respectivos países. A intenção de nosso compatriota nunca foi a de criar uma escola brasileira de ópera e, sim, a de triunfar como compositor na Europa, praticando um melodrama fiel às receitas peninsulares. Cumpre, portanto, corrigir essa distorção, situando-o no ambiente histórico e estético que assistiu ao nascimento de sua produção, e para o qual deu contribuição não-negligenciável. Contribuição essa que, devido ao fato de seu nome estar esquecido na Itália, acaba sendo ignorada – a ponto de um dos raros musicólogos mediterrâneos que o conhecem bem, Marcello Conati, dizer que “as obras de Gomes vivem hoje em estado vegetativo, entre as páginas das partituras conservadas nas bibliotecas”1. Hoje, vemos a musicologia italiana atribuir a Ponchielli o papel do compositor que efetua a transição entre o Romantismo e o Verismo, esquecendo – ou simplesmente varrendo para debaixo do tapete – características precursoras de cunho revolucionário que, em data anterior, já estavam presentes na obra do brasileiro.

Para a elaboração deste capítulo, peça fundamental foi Carlos Gomes: a Força Indômita, estudo de Marcus Góes publicado pela Secretaria de Cultura do Pará em 1966, ano do centenário de morte do compositor. Este é o trabalho mais completo e inovador a respeito de Carlos Gomes, na medida em que suas pesquisas fornecem os melhores argumentos para devolver a esse músico o lugar que lhe cabe dentro da História da Ópera italiana.

(  Em Formazione e Affermazione di Gomes nel Pamorama dell’Opera Italiana: Appunti e Considerazioni em Nello Vetro: Carteggi Italiani.

2- PRIMEIROS ANOS

Nascido em 11 de julho de 1836, na Vila Real (São Carlos), hoje Campinas, em São Paulo, Antônio Carlos era um dos 26 filhos que o mestre de banda Manoel José Gomes, o “Maneco Músico”, tivera em seus quatro casamentos. A mãe do compositor, Fabiana Maria Jaguary Gomes, morreu em 1844, quando ele tinha apenas oito anos. Manoel José estudara com André da Silva Gomes, primeiro mestre-de-capela da catedral da Sé, na capital da província, e compositor de muito talento, cuja obra vem sendo redescoberta e gravada nos últimos anos. Foi Manoel o primeiro professor do filho, a quem ensinou a

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