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O estilo de declamação é bastante livre. Quando a protagonista exclama: “Pazza!... pazza!... è ver!... Oh quale orror... son pazza!... Ira... dolore... amore... tutto è folia...”, as indicações para a cantora pedem, de uma palavra para a outra praticamente, mudanças de dinâmica e estilo de canto de uma flexibilidade surpreendente: parlato, interroto, convulso... cantabile grandioso e con forza... parlato piano... agitato forte... dolce piano... ritenuto pianissimo... Essa declamação, que transita constantemente do parlato para o arioso, e dali para o cantabile, contribui para tornar as fronteiras entre os números menos definidas, o que resulta em cenas construídas com blocos mais contínuos. É de Julian Budden o comentário: “Fosca contém, em seu ato II, o concertato final mais complexo antes do ato III do Otello.” E mesmo os números fechados recebem tratamento original, que os distancia da média das árias da época, em que se repetem as receitas de efeito comprovado da tradição. É o caso de “Quale orribile peccato" (Fosca, ato II), “Ad ogni mover lontan di fronda” (Délia, ato III), ou “Ah, se tu sei fra gli angeli” (Paolo, ato IV) –

16 - UM NOVO TIPO DE SOPRANO

Ponto de importância excepcional, em suma, no qual nunca é demais insistir, é o fato de Fosca, por sua personalidade selvagem e por sua tessitura incisiva, dramática, “com emissões na zona central e aguda alternadas a violentas subidas para a região aguda” (Rodolfo Celletti), situar-se, três anos antes da Gioconda, como a primeira precursora das personagens veristas. Ela é o papel típico de uma época em que apareciam cantoras de voz potente e presença cênica forte – Maria Durand, Maddalena Mariani, Romilda Pantaleoni – as “sopranos dramáticas cheias de ímpeto e de fogo a que Verdi, numa frase muito expressiva, chamava de prima-donas com o diabo no corpo”.

Existem três integrais da Fosca:

Voce e EJS, 1966 – Ida Miccolis, Sérgio Albertini, Agnes Ayres, Costanzo Mascitti/ Armando Belardi;

Masterclass, 1973 – mesmos intérpretes da precedente, com Zaccaria Marques no lugar de Albertini  (a TV Cultura de São Paulo possuía um videotape preto e branco desse espetáculo; mas esse filme parece não existir mais nos arquivos da emissora; há cópias pirata em mãos de colecionadores);

São Paulo ImagemData, 1997 – Gail Gilmore, Roumen Dóikov, Krassimira Stoiánova, Niko Issákov/ Luís Fernando Malheiro (em CD e vídeo).

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