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Hoje, é possível reavaliar a Fosca em sua justa medida, reconhecendo nela o ponto alto da produção de Carlos Gomes. Mas o compositor, para quem a aprovação do público sempre foi um elemento muito importante, preferiu não levar adiante o experimentalismo. Em sua ópera seguinte, retrocedeu para um estilo bem mais convencional, o que fez com que a reação do público fosse mais favorável. Após as atribulações da época da Fosca, esta era uma época de maior tranqüilidade, pois o governo brasileiro lhe concedera uma pensão de 400$000 mensais. Contra a opinião de Adelina, o perdulário Antônio Carlos alugara uma casa em Maggianico, a três quilômetros de Lecco, no norte da Lombardia. Ali instalaria a luxuosa “Villa Brasilia”, monumento à sua vaidade, e futura razão de sua bancarrota.

17- SALVATOR ROSA

Ghislanzoni, nascido em Lecco, era seu vizinho. Foi ele o autor do libreto de Salvator Rosa, baseado no romance Masaniello, de Eugène de Mirécourt, que trata da insurreição napolitana, no século XVII, contra a dominação espanhola. Mirécourt, pseudônimo de Charles Jean-Baptiste Jacquot, ficou famoso pelos processos que lhe foram movidos por gente famosa como George Sand ou Proudhon, por causa dos panfletos escandalosos que escrevera contra eles, difamando-os. Mas era autor muito popular entre os scapigliati, devido à irreverência, à licenciosidade e ao anticlericalismo de seus folhetins pseudo-históricos, Les Confessions de Marion Delorme ou Les Mémoires de Ninon de Lenclos.

Ficou decidido que a ópera receberia o título de Salvator Rosa – nome do pintor e poeta siciliano que, no romance, envolve-se com a rebelião – porque Masaniello era o nome como se conhecia, na Itália, a ópera francesa La Muette de Portici, de Auber, que trata do mesmo tema. Masaniello é a contração do nome de Tommaso Aniello, peixeiro de Amalfi, perto de Nápoles, que liderou a revolta e, em 1647, foi assassinado por seus próprios companheiros, descontentes com as suas atitudes depois da vitória contra os espanhóis. É uma história folhetinesca em que, ao tema popular do “sacrifício por amor”, vêm juntar-se um triângulo amoroso, venenos e suicídio. Tratamento inteiramente livre, típico das praxes românticas mais surradas, é dado à figura histórica de Salvator Rosa. Na ópera, ele se apaixona por Isabella, filha do duque de Arcos, governador espanhol de Nápoles. O duque arquiteta um plano para prender Salvator e Masaniello. Em seguida, diz à filha que ela poderá salvar o homem que ama, se concordar em casar-se com Fernández, o

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