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comandante de sua guarda; e ela concorda. Masaniello é assassinado pelos espanhóis, depois de ter sido enlouquecido por uma poção envenenada (!). Numa cena reminiscente do final do Trovatore, o pintor acusa Isabella de traição, ao ser confrontado com ela, e cobre-a de recriminações. Em seguida, assiste horrorizado a seu suicídio, para provar-lhe que ainda o ama. Isabella morre em seus braços, incitando-o a viver para a sua arte.

Na estréia em 21 de março de 1874, no San Carlo de Gênova, Giovanni Rossi regeu um elenco em que se destacavam Salvatore Anastasi, Romilda Pantaleone, Leone Giraldoni e Marcello Junca. O sucesso foi grande: o compositor foi chamado 36 vezes ao proscênio do Teatro Carlo Felice, de Gênova, para agradecer aos aplausos. A ópera tinha “melodias fáceis, inclusive com um io t’amo em uníssono do soprano e do tenor, em subida ao si bemol agudo no final do dueto de amor, recurso de uma pobreza a que nem o pior Mercadante, nem o Bellini de dezesseis anos chegariam” (Marcus Góes). O tom bem comportado do Salvator Rosa – que Conati chama de “retorno ao stile a mosaico do Guarany – agradou em cheio à platéia que se espantara com as “esquisitices” da Fosca. A crítica também foi muito favorável.

18- REAÇÃO DA CRÍTICA

O semanário Varietà e os diários Voce Libera e Movimento registraram o triunfo. O crítico deste segundo afirmava:

“Na música do Salvator Rosa, de um modo geral, não se encontram muitas novidades, nem na forma nem na inspiração. Há, no entanto, trechos aos quais é necessário fazer particulares elogios (...), pois mostram quanto poder de imaginação e quanta maestria Gomes possui. (...) A melodia não se enfraquece um só instante e (...) é espontânea e elegante até mesmo quando não é nova, sempre apaixonada e cheia de vida, como a ardente natureza do compositor brasileiro.”

No Perseveranza, insistindo em que a Fosca, “a ópera mais pensada de Gomes, aquela em que a sua dignidade de artista não desceu a nenhuma concessão”, tinha sido “malissimamente julgada por culpa da péssima execução”, Filippo Filippi considerou que:

“No Salvator Rosa, o maestro Gomes procurou e obteve uma simpática conciliação entre as duas exigências, quase sempre opostas, do palco e da arte. Escreveu uma bela música, fácil, direta, elegante, melódica, de efeitos imediatos, evitando as trivialidades, as vulgaridades e a prolixidade de quem, não sabendo criar, copia mal os outros.”

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