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Esses julgamentos animadores, porém, não bastaram para acalmar a insegurança de Carlos Gomes, sempre pronto a um pessimismo que o fazia ver o destino com as cores mais negras – como o demonstra a carta de 1º de maio a Giraldoni, depois de uma série de bem-sucedidas apresentações:

Salvator Rosa é uma ópera pouco afortunada, e é necessário que eu pense logo em compor outra. Dirás que eu sou sempre um caga-dúvidas, mas até agora não sei quando a reencenarão! Enquanto isso, outras óperas, de compositores que não sabem onde está a melodia, correm mundo...”

Não havia motivo para tanto desânimo pois, em 10 de setembro de 1874, a ópera subiu ao palco do Scala, onde alcançou quinze récitas, com recepção tão calorosa quanto a genovesa. Mas o complexo de inferioridade o faz escrever a Giulio Ricordi, em 21 de setembro: “Toda a imprensa e o público de Milão são contra mim.” E os aplausos de Turim, em setembro de 1875, mesmo numa noite em que o tenor cantou mal, não são suficientes para impedi-lo de dizer: “A má sorte é a minha companheira inseparável.” O Rio de Janeiro ouviu Salvator Rosa em  28 de setembro de 1876, no Teatro São Pedro de Alcântara, com a companhia do tenor José Torresi, que fez o papel título, ao lado de Palmira Missorta, Agostino Mazzolli, Enrico Dondi e Maria Andreff. O regente foi Antônio Maria Celestino. Apesar das declarações negativas do autor, Salvato Rosa foi, ao lado do Guarani, o grande sucesso de sua carreira. Mas é severo o julgamento, a seu respeito, de um autor como Conati:

“O libreto limita-se a encadear cenas de efeito sem motivação coerente. As personagens apresentam-se privadas de caráter que justifique ações ou sentimentos. Faz falta um protagonista autêntico: esse papel deveria, na realidade, pertencer a Salvador Rosa, mas lhe contestado, para todos os efeitos, por Masaniello, personagem que não é melhor definido do que o precedente – às vezes ele é até mecânico em seu comportamento e suas palavras – mas indibitavelmente é mais determinante do ponto de vista da economia cênica. O papel central permanece vago e até mesmo arrisca de ser ocupado pela personagem ‘negativa’ da ópera, o duque de Arcos. (...) Mas nem esse muda a função que lhe foi destinada desde a sua primeira aparição em cena. Era malvado, e malvado continua até o fim da ópera. E a scena ed aria que lhe compete, por mais bonita e comovente que seja, fica como um trecho isolado, um fim em si mesmo.”

19 - SEM A UNIDADE DA FOSCA

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