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por uma desgastante guerra contra a França, e a depressão por não conseguir dar um herdeiro ao trono, apressaram a sua morte, em 1558, sem deixar filhos. Sucedeu-a a meio-irmã Elizabeth, filha bastarda de Anna Bolena. E sob seu cetro, a Inglaterra viveu a Idade de Ouro renascentista.

Muito pouco da Maria Tudor real aparece no drama de Hugo. Como de hábito, o poeta dá aos fatos históricos uma interpretação livre. Imagina o envolvimento de Maria com o aventureiro italiano Fabiano Fabiani, a quem protege, por mais que a corte o despreze. Este, porém, a trai com Jane, moça do povo a quem seduziu por ter descoberto que ela é, na realidade, a herdeira da rica família dos Talbot. Jane (Giovanna na ópera) foi recolhida e educada por Gilbert, um cinzelador que tenciona casar-se com ela. O envolvimento da moça com Fabiano é descoberto por Simon Renard, embaixador da Espanha – cujo rei almeja casar-se com a soberana inglesa (no libreto, ele recebe o nome de Don Gil). O embaixador revela a Gilbert o namoro de sua amada com Fabiano. E o cinzelador, enciumado, aceita tornar-se o instrumento dos planos do espanhol. Denuncia à rainha a infidelidade de seu favorito, mas acaba sendo preso como seu cúmplice numa tentativa de regicídio, para que Maria possa castigar Fabiano, condenando-o à morte. No último momento, Maria se arrepende e pede a Don Gil que troque os condenados, fazendo Gilbert morrer no lugar do italiano. O embaixador espanhol não atende a seu pedido, e é o favorito quem é mandado ao cadafalso.

Ghislanzoni, porém, não poderia ser o autor do libreto, devido à regra tácita – nem sempre obedecida – de que um dramaturgo não deveria reelaborar, para um compositor, um texto anteriormente escrito para outro. Foi por isso que se pensou no scapigliato Emilio Praga, autor do texto dos Profughi Fiamminghi de Faccio, e colaborador de Ponchielli na revisão dos Promessi Sposi. Carlos Gomes tinha a esperança de que a colaboração com o renomado poeta desse ótimos resultados. Mas, separado da mulher e do filho Marco, Praga entrara em depressão e descia rapidamente a ladeira, devastado pelo álcool e o consumo de drogas. Seu amigo Boito ainda tentou ajudá-lo na redação do poema, mas Praga morreu, em 26 de dezembro de 1875, aos 38 anos. Foi preciso então que Angelo Zanardini e Ferdinando Fontana, de competência bem inferior à dos poetas que o tinham iniciado, terminassem o libreto. Com isso, como escreveu Filippo Filippi no Perseveranza (2-4-1879):

“O libreto do pobre Praga, de que não sobraram senão poucas linhas, foi reduzido, modificado, estraçalhado de tal forma por meia dúzia de poetas, que se pode chamar a ópera de um Parnasso Babilônico.”

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