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Além disso, fala-se numa cabala contra a ópera, organizada pelos partidários da renomada Antonietta Fricci, que pretendia criar o papel-título, mas fora preterida no elenco por Anna d'Angeri. Protegida da Casa Ricordi, D’Angeri era a grande estrela dos papéis dramáticos no Scala daquela época.  Mas Fricci já estava, a essa altura, numa fase de declínio vocal, e Marcus Góes é da opinião que a eventual claque de seus fãs não teria sido suficientemente forte para promover o fracasso. É pouco provável também que houvesse aí uma reação de caráter chauvinista do público, pois tanto Fricci (na verdade Freitsche) quanto D’Angeri (Anna von Angermayer-Redernburg) eram austríacas, nascidas em Viena. Seja como for, nem a boa regência de Marino Mancinelli e a excelência do elenco impediram o desastre. Ao lado de Anna d’Angeri havia Francesco Tamagno, futuro criador do Otello, então com 28 anos e no auge da forma; Emma Turolla, Giuseppe Kaschmann e Édouard de Reszke.

O bem escrito Prelúdio foi muito aplaudido. Foi boa também a acolhida a “Se all’ora bruna”, a serenata que Fabiano faz a Giovanna, cuja melodia, de grande elasticidade rítmica, vem marcada con abbandono e quasi senza misura. Mas depois de “Canta sempre, canta o bella”, o dueto entre Fabiano e Giovanna, o público começou a esfriar, a tornar-se inquieto, até prorromper em vaias. É o próprio Antônio Carlos quem conta: “A ópera acabou acompanhada de gaitas, assobios, sanfonas, e não faltou o famoso cri cri!’

23- MÁS CRÍTICAS

Em 28 de março, a crítica do Corriere della Sera, assinada “Hans”, fazia o necrológio:

“A Maria Tudor, de Carlos Gomes, obteve ontem à noite, no Scala, um decidido, desolador, irreparável insucesso; e a crítica – por mais que isso lhe pareça odioso – tem de fazer o papel de coveiro. O público veio ao teatro com boas intenções, pois o compositor Gomes, se bem que brasileiro, aqui é considerado e amado como um nosso concidadão.”

E depois de reconhecer méritos ao libreto e aos intérpretes, “Hans” acrescentava:

A culpa recai então, exclusivamente, sobre o maestro, que não soube, com tantos elementos favoráveis, obter sucesso. Não sabemos se Maria Tudor merecerá a honra de uma segunda récita; não a desejamos nem para o compositor nem para o público.”

No Perseveranza de 28 de março, o próprio Filippi, sempre favorável a Gomes, achou que, apesar de muitas belezas, no conjunto a ópera não tinha “igualdade de estilo,

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