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nem verdadeira originalidade de inspiração, nem medida dos efeitos”. No final de seu texto, percebe-se o que talvez seja a verdadeira razão para o insucesso: o desagrado dos italianos com o prestígio granjeado, em seus palcos, por um estrangeiro. Reação explicável: entre 1870-1879, Gomes tinha sido o segundo autor mais encenado no Scala. Suas óperas tinham alcançado 62 récitas, contra 166 das de Verdi, seguidas por 54 das de Donizetti. Diz Filippi:

“Nenhum outro compositor foi, como Gomes, favorecido pela sorte. Chegado à Itália, seus primeiros trabalhos, em que brilhava certo brio melódico muito original, lhe valeram todas as simpatias, bem merecidas, e lhe propiciariam a nossa nacionalidade musical, não lhe sobrando de brasileiro senão o nome, a cor e a hirsuta cabeleira. De quatro óperas que escreveu, teve a inaudita fortuna de encenar três no Scala, (...) enquanto existem não só jovens de talento, mas também compositores de verdadeiro merecimento, que esperam anos antes de poder encenar uma ópera, e se acham afortunados se podem fazê-lo no Dal Verme. (...) Digo tudo isso porque, tanto mais um compositor chegou ao alto, mais a crítica tem o dever de colocar as coisas em seu estado normal, razoável.”

Nas noites subseqüentes, um público popular, sem vínculos com a política de bastidores do teatro, reagiu com mais calor à música da Maria Tudor. O próprio Corriere foi obrigado a constatar que o compositor, se estivesse presente, “teria recebido mais chamadas que na primeira representação, e não teria ouvido os assobios cruéis da quinta-feira”. Mas isso não pareceu consolar o compositor, inconformado com o fracasso da estréia e as impiedosas farpas da crítica. Inseguro como era, a aprovação da platéia e da imprensa pareciam-lhe indispensáveis. Na época da Maria Tudor, D’Ormeville escreveu a um amigo comum:

“O mal-estar de que sofre Gomes é um só, a preocupação contínua com aquilo que se dirá de seus trabalhos depois da representação. Quando compõe, não pensa somente no assunto, nos versos, na música. Pensa nos ranzinzas do público que querem isto, nos Aristarcos da crítica que querem aquilo, e estoura os miolos e atormenta a imaginação para não desgostar aqueles e agradar a estes.”

24- CRÍTICAS INJUSTAS

Críticas que se tornam descabidas a partir do momento em que temos a opertunidade de fazer um exame isento da ópera em sua forma integral – como a que nos foi dada,

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