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Misturada à guerra entre os tamoios e portugueses, é contada a história do ex-chefe tamoio Iberê feito escravo, obrigado a se casar com a escrava Ilara. Mas vive com ela irmãmente, pois sabe que Ilara ama Américo, o jovem português que, em suas viagens, há de se encontrar com a condessa de Boissy, uma nobre francesa. No final, o escravo liberto se sacrificará para que Ilara e Américo possam viver felizes. Ao comparar esta sinopse com a da Edmea, de Catalani, o leitor verá que todas as situações da peça de Dumas filho reaparecem na ópera. Chega a haver frases inteiras do drama literalmente traduzidas no libreto. Essa mudanças muito artificiais seriam responsáveis por incongruências na trama. É estranho que o brasileiro Gomes aceitasse a desenvoltura com que Paravicini fantasiava a realidade histórica nacional: basta lembrar que a condessa de Bouillon mora em um grande castelo em Niterói (!) e não possui escravos por ser francesa – um sentimento iluminista, típico do século XVIII, que uma dama gaulesa da década de 1560 dificilmente teria. Ainda mais que ele tinha consciência das deficiências do poeta pois, em carta de 11 de dezembro a seu amigo Mandelli, escreveu:

“(O libreto) me parece melhor como argumento. Os versos são coisa de fazer rir as galinhas do camponês que é o Davide! Acrescente a essas minhas prolongadas e involuntárias oscilações a dificuldade em obter, em tempo hábil, as mudanças de que necessito.”

29 - PROBLEMAS COM LO SCHIAVO

A manipulação do argumento desagradou profundamente a Taunay e este exigiu que seu nome fosse riscado do projeto – embora ele apareça ao lado do de Paravicini na capa da partitura publicada pela Casa Ricordi. Lo Schiavo teve gênese difícil, retardada pelas crises de insegurança, as dificuldades financeiras, os problemas com Adelina – que morreu de tuberculose, em 6 de agosto de 1887, aos 45 anos de idade – e o infrutífero processo contra o cunhado da mulher, Emilio Donadon, que ela nomeara curador de seus bens antes de morrer. A essa disputa viria juntar-se outra, muito desgastante. Em 1884, Antônio Carlos musicara um Inno-Marcia – “Un astro splendido nel ciel appar” –,  com texto do tenente Francesco Giacinto Giganti, instrutor de seu filho Carletto no Real Colégio Militar Longone, de Milão. A publicação desse hino pela Casa Lucca já causara indignação a Giulio Ricordi, que ainda não levara a efeito a absorção da editora rival, só efetivada em 1888. E quando Gomes decidiu inserir as palavras de Giganti no ato II

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