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do Schiavo, esbarrou na oposição de Paravicini. Como as duas partes se mostrassem irredutíveis, houve um litígio judicial desfavorável ao compositor. Isso contribuiu para que Ricordi rescindisse o contrato que previa a estréia da ópera no Teatro Comunale de Bolonha. Mas não foi esse o único motivo, lembra Góes:

“Os tempos haviam mudado. E não era só por obras de CG que diminuía o interesse dos editores no final da década de 80. Os compositores de sua geração começavam a ser preteridos pelos da Giovanne Scuola que chegavam, inclusive, e principalmente, com Puccini em quem os Ricordi investiam de armas e bagagens...”

O jeito era trazer Lo Schiavo para o Brasil. Mas foram longas e difíceis as negociações com o empresário Mario Musella, que dirigia o Teatro Imperial Dom Pedro II. Musella desconfiava de Carlos Gomes que, dois anos antes, não cumprira a promessa de terminar a ópera Morena para que ela pudesse ser encenada no Rio; e achava que, com seu temperamento autoritário, Antônio Carlos criaria dificuldades nos ensaios. As querelas só se encerraram com a intervenção do imperador, que ordenou a inclusão do Escravo na temporada. Ainda assim, era necessário arrecadar os fundos necessários para cobrir as despesas de cenários, figurinos e cópias da partitura, e pagar o cachê do barítono Innocente de Anna, que viria da Itália criar o papel de Iberê. Para isso, foram necessárias subscrições.

30- A ESTRÉIA NO BRASIL

Realizou-se, no Cassino Fluminense, em 1º de setembro, um concerto beneficente a que compareceu a fina flor da nobreza. Depois, o crítico Oscar Guanabarino fez gestões junto à princesa Isabel – a quem a partitura fora dedicada –, para a abertura de uma lista de doações que arrecadasse os fundos necessários à montagem. O imperador e sua mulher abriram a lista com 500$000 cada um, seguidos pelos 400$000 do príncipe Dom Pedro Augusto. No total, o grupo de organizadores formado por Guanabarino, Taunay, André Rebouças, Salvador de Mendonça e o comerciante Francisco da Graça Castellões, todos eles amigos de Antônio Carlos, juntaram 50 mil francos e a ópera foi para o palco.

Em 27 de setembro de 1889, o próprio compositor regeu a primeira récita, cantada por De Anna, Maria Peri, Franco Cardinali, Enrico Serbolini e a holandesa Marie van Cauteren. As demais récitas foram regidas pelo maestro Bonicciolli. A calorosa reação do público, a promoção a dignitário da Ordem da Rosa, e a promessa do imperador de lhe dar a

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