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de viver sozinha, a soberana o salva da ira de seu povo, e Condor recusa-se a seguir Zuleida, sua mãe, quando esta vem tentar alertá-lo contra a indignação não só dos habitantes de Samarcanda mas também dos membros das Hordas, que se sentem abandonados por seu chefe. Ao saber que as Hordas pretendem raptar Odalea, Condor corre em seu socorro, sem se fazer reconhecer. Ao identificar nele seu salvador, Odalea nomeia-o emir de suas tropas, mas isso só faz aumentar o furor da população, que incendeia o palácio. Para salvar uma vez mais a vida da mulher que ama, Condor se apunhala. Quando a multidão invade o palácio, encontra a rainha caída sobre o cadáver do amante. Chamando-os de “bárbaros”, ela lhes atira o punhal ensangüentado com que ele se matou.

Condor agonizante é a figura que se reclina sobre a escadaria da praça Ramos de Azevedo, na esplanada do Teatro Municipal de São Paulo, ao lado do Vale do Anhangabaú. Ele faz parte do Monumento a Carlos Gomes, conjunto de estátuas de mármore e bronze realizado por Luigi Brizzolara, e instalado em 1922, como parte das comemorações da independência do Brasil. Além de uma grande estátua do compositor, de alegorias à Música, à Poesia, à Glória, à Itália e ao Brasil, espalham-se pela escadaria e pela praça personagens do Guarany, Fosca, Salvator Rosa, Maria Tudor e Schiavo. Uma tradição paulistana diz que, para quem desce os degraus, dá sorte tocar à passagem a palma da mão estendida de Condor moribundo. A ópera deveria ter como título o nome da personagem masculina. Mas Antônio Carlos, como bom brasileiro atento à malícia dos outros, preferiu chamá-la de Odalea, para evitar que, se ela viesse a ser apresentada na França, ali fosse chamada de “con d’or” (vagina de ouro). Vê-se que ele estava de olho na possibilidade de exportar a sua ópera, pois em italiano o problema não existe, já que a palavra é paroxítona.

A estréia, no Scala, em 21 de fevereiro de 1891, teve acolhida muito fria, apesar da regência de Leopoldo Mugnone e do bom elenco: Hericlea Darclée, Adele Stehle, Erina Borlinetto, Giovanni Battista De Negri, Francesco Navarrini e Pio Marini. Embora algumas publicações e a edição da partitura para canto e piano indiquem os nomes do tenor Federico Corrado e do mezzo Vittoria Fabbri entre os criadores da ópera, esses dois cantores substituíram De Negri e Borlinetto em récitas subseqüentes. Outra informação que se costuma encontrar, nas biografias de Carlos Gomes, é a de que Condor foi cantada apenas duas vezes. Na realidade, a ópera alcançou dez récitas, contra onze do Lohengrin e 23 da Cavalleria. Haveria ainda uma apresentação, em 27 de janeiro de 1893, no Carlo Felice de Gênova. Depois disso, a ópera nunca mais foi apresentada na Itália.

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