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autonomia em relação à linha vocal.

35 - DESDÉM IMERECIDO

A crítica reagiu de forma um tanto perplexa, reconhecendo algumas qualidades à partitura, mas fazendo as costumeiras restrições à “falta de unidade”, à “instrumentação barulhenta”. Il Secolo – ligado a Sonzogno, que comandava a temporada no Scala – falava na “mão de mestre” da primeira cena; considerava “verdadeiramente feliz” o dueto Condor-Odalea; e dizia que, “dos três atos da ópera, o último é o melhor”. No Perseveranza de 22 de fevereiro, Giovanni Battista Nappi era mais severo:

“O abuso de convenções e lugares comuns do libreto se encontram também na música, embora o compositor tenda, de vez em quando, a subtrair-se a isso; mas o consegue com esforço, com pouca espontaneidade, nunca escondendo as simpatias pelas velhas formas do drama lírico. (...) A instrumentação me parece, salvo alguns breves momentos, muito pesada e opressiva, pelo abuso dos metais, tornando-se as perorações ensurdecedoras e pouco elaboradas. Condor parece, então, uma ópera feita de um jato, toda ela animada do mesmo sopro, ordenada com lógicas e bem determinadas intenções. No conjunto, não há um todo harmonioso, mas uma variedade um tanto desequilibrada de cor e estilo.”

No Brasil também os musicólogos dividiram-se a respeito do Condor. Na História da Música Brasileira, Renato Almeida é da opinião que:

“Se no Condor não encontramos trechos característicos a citar, que tivessem permanecido na memória, páginas sinfônicas de efeito, ou cantábiles largos e sedutores, há um esforço seguro para realizar algo de novo e uma intensidade sinfônica vigorosa.”

Ouvida hoje, a obra não parece de forma alguma merecer julgamento tão negativo. Na obra coletiva já mencionada, Andrade Muricy responde a essa acusação de que o Condor é pobre em melodia:

“O caráter melódico é que mudou. (...) As frases melódicas são geralmente mais curtas do que as que lhe eram habituais e, além disso, ele já as vai empregando por fragmentos expressivos. Quando volve às frases largas, como na segunda parte do popular Noturno do terceiro ato, já descora um pouco e se trivializa, não conseguindo manter a fluência de suas melodias juvenis e a maravilhosa frescura de acentos de certas árias de O Escravo. Esse emprego variado e multiforme de fragmentos expressivos de frases, que caracteriza o processo de desenvolvimento do Condor, aproxima-o mais é do Verismo.”

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