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De fato, os cantábiles característicos do autor ali estão com toda a força: prova disso é o lamento de Odalea, “Ah!, quanto ciel rapiva a me crudel!”, em seu monólogo do ato III. Um estilo lírico que se espraia voluptuosamente no belo “Noturno” com que se abre o ato III. É evidente que Condor, em 1891, tinha poucas condições de agradar a um público que – como diz Julian Budden – “já tinha provado o sangue verista. A história ingênua e de um orientalismo já fora de moda, a má qualidade poética de um libreto cheio de lugares-comuns, o formato de grand-opéra não mais condizente com as óperas compactas, ágeis e intensas praticadas pelos veristas já não atendiam mais ao gosto do dia.

36 - Uma Obra Madura

Mas é simplesmente não ter prestado atenção à partitura supor que ela assinale um declínio criativo do compositor. O melodismo de Gomes está lá, sim, mas com movimentos mais flexíveis. O corte dos temas é menos tradicional do que no Guarany; menos popularesco do que no Salvator Rosa. Levam um passo à frente a madura expressão da Maria Tudor e do Schiavo. Há em Condor, em suma, a busca visível de um novo roteiro estético; ou, como diz Andrade Muricy, “não um 'canto de cisne', mas uma indistinta, tateante aurora”.

Condor/Odalea tem divisão em números muito tênue. Tende para a estrutura em blocos contínuos que Verdi consolidara no Otello; e, nesse sentido, confirma uma tendência já perceptível no autor desde o Guarany. Além da predominância, já observada, do tipo de vocalidade que faz a voz ascender subitamente do registro central para a região aguda – técnica que vai proliferar no Verismo –, é característica no Condor a preocupação com um tipo de declamação que valorize a clara pronúncia das palavras. E esse é outro ponto em que está intimamente associada à nova escola.

O selo pirata JSM-UORC tinha a integral de Eleazar de Carvalho, no Municipal do Rio (1944); mas ela apresentava sérios problemas de edição e cortes lamentáveis. O rótulo do disco registrava Carmen Gomes e Elias Reis e Silva como os intérpretes dos papéis principais; mas Sérgio Nepomuceno Correa, em seu levantamento discográfico, revela que eles foram, na verdade, feitos por Maria Helena Martins e Carlo Merino. O elenco é completado por Maria Augusta Costa, Alexandre de Lucchi, José Perrotta e Sarah César.

É igualmente cortada e de som pirata muito precário a versão existente na série da Masterclass: a de Armando Belardi, realizada em 1986 na Sala Cidade de São Paulo –

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