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– ele próprio um operista de razoáveis méritos –, aceitasse dar-lhe aulas particulares. O excessivo rigor de Rossi, seu apego a exercícios teóricos monótonos não agradavam ao aluno brasileiro, que escreveu a seu mestre Francisco Manuel:

“Hoje, eu tenho a cabeça toda cheia de contraponto e de soggeto e contrasoggeto de Fugas... e às vezes tenho os ouvidos aturdidos e as orelhas um pouco quentes das repreensões de Lauro Rossi que a respeito de Fugas é muito impertinente.”

Por isso, se sentiu muito mais à vontade ao prosseguir os estudos com Alberto Mazzucato. Depois, o jovem prestou exames no conservatório, para obter o diploma de Composição, conseguido em 1866. Nessa época, Antônio Carlos fez amizade com o libretista Antônio Scalvini. Com ele colaborou na revista Se Sà Minga (Não se sabe nada), cantada em dialeto milanês. Estreada no Teatro Fossati em 9 de dezembro de 1866, a revista foi muito bem recebida. Sem a preocupação de contar uma história retilínea, a revista limitava-se a justapor quadros estanques, com referências a fatos ocorridos naquela época ou a personalidades em vista. Fizeram enorme sucesso números como o “Coro delle Maschere”; ou a canção “Fucile ad Ago”, sobre o fuzil a agulha utilizado na Batalha de Sadowa, de julho daquele ano, em que os detestados ex-opressores austríacos tinham sido desbaratados pelo exército prussiano. No álbum da Secult, há a gravação da abertura de Se sa Minga.

O prestígio angariado junto ao público popular lombardo levou a outro convite: o de escrever a música para a revista Nella Luna, com libreto de Eugenio Torelli-Viollier, o futuro fundador do Corriere della Sera. Estreada no Teatro Carcano em 11 de dezembro de 1868, essa revista exibia, uma vez mais, cançonetas como “La Moda”, “La Bolletta” – sobre a falta de dinheiro crônica do zé-povinho milanês – ou o “Coro dei Bambini Lattanti”, que correram as ruas, cantaroladas pela entusiasmada platéia.

5- O PRIMEIRO SUCESSO

Encorajado por esses primeiros resultados, foi a Scalvini que Antônio Carlos confiou o projeto concebido desde sua chegada à Itália: o de adaptar para o palco lírico O Guarani, romance de José de Alencar publicado em folhetim, na imprensa carioca, de 1º de janeiro a 20 de abril de 1857. É fantasiosa a versão dos primeiros biógrafos de que Carlos Gomes travara conhecimento com o romance ao ouvir um vendedor

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