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aclamada em 3 de abril de 1869. Atento à direção em que soprava o vento, Carlos Gomes percebeu a importância desse triunfo e, ao precisar de quem terminasse o trabalho de Scalvini, foi a d’Ormeville que recorreu, pois o libretista de Marchetti saberia dar ao Guarany o formato que estava entrando na moda.

(  Muito importantes para compreender a gênese do Guarany são as cartas de Carlos Gomes recolhidas nos Carteggi Italiani II de Gaspare Nello Vetro, editados pela Funarte, com prefácio e tradução de Luiz Gonzaga de Aguiar.

6- DO GUARANI A IL GUARANY

Nas mãos de Scalvini e D’Ormeville, Il Guarany sofreu diversas modificações em relação a Alencar. Desapareceram algumas personagens: Diogo de Mariz, o irmão de Cecília, e Isabel, a filha bastarda de Dom Antônio. Loredano – na verdade o religioso renegado frei Angelo di Luca –  foi transformado no aventureiro espanhol González, decerto para não ferir a susceptibilidade dos italianos, que não gostariam de ver um compatriota como vilão. Surgiu o cacique dos aimorés, que se apaixona por Ceci; e chegou-se a pensar numa filha desse cacique, que se enamoraria de Peri – mas a idéia não foi adiante. Para a estréia, em 19 de março de 1870, no Teatro alla Scala, Carlos Gomes ainda não tinha escrito a abertura – que no Brasil recebeu o nome rebarbativo de Protofonia. Havia um Prelúdio de construção bem mais simples, que o leitor poderá conhecer mediante duas gravações, ambas feitas em 1998, ano do centenário:

a de Yeruham Sharovsky, à frente da Orquestra Sinfônica Brasileira;

e a Andi Pereira, com a Orquestra do Festival do Centenário, no já mencionado álbum da Secult.

O cenógrafo era Carlo Ferrario e o figurinista, Luigi Zamperoni. As ilustrações da época demonstram que ambos executaram um belíssimo trabalho. Francesco Villani e Maria Sass interpretavam o índio Pery e a portuguesinha Ceci; Enrico Storti fazia o aventureiro González. O Cacique marcou a estréia italiana do futuro criador de Iago e Falstaff: o barítono francês Victor Maurel, na época com apenas 22 anos. Eugenio Terziani era o regente da estréia. Na Perseveranza de 21-3-1870, Filippo Filippi reconheceu a inspiração e a originalidade do autor, embora as achasse “prejudicadas pelas longueurs, pelos titubeios de estilo, por uma desigualdade singular de conceito artístico que, a todo momento, faz passar do sublime, do elegante, do delicado, do novo, ao comum e ao

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