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Sintagmas — Professora Ana Vellasco

Dá uma volta graciosa

Pra chamar as atenções

O homem da rua

Que da lua está distante

Por ser nego bem falante

Fala só com seus botões

O homem da rua

Com seu tamborim calado

Já pode esperar sentado

Sua escola não vem não

A sua gente

Está aprendendo humildemente

Um batuque diferente

Que vem lá da televisão

No céu a lua

Que não estava no programa

Cheia e nua, chega e chama

Pra mostrar evoluções

O homem da rua

Não percebe o seu chamego

E por falta doutro nego

Samba só com seus botões

Os namorados

Já dispensam o seu namoro

Quem quer riso, quem quer choro

Não faz mais esforço não

E a própria vida

Ainda vai sentar sentida

Vendo a vida mais vivida

Que vem lá da televisão

O homem da rua

Por ser nego conformado

Deixa a lua ali de lado

E vai ligar os seus botões

No céu a lua

Encabulada e já minguando

Numa nuvem se ocultando

Vai de volta pros sertões.

Comentário sobre o texto 5

Na letra de música que Você leu, Chico Buarque critica o enorme espaço que a televisão vem ocupando, cada vez mais, na vida das pessoas: afastando da música, afastando das conversas, afastando da natureza, afastando das relações sociais. As conversas, o namoro, a dança, atividades que pressupõem mais de uma pessoa, são substituídas pela tela da televisão, numa atividade isolada e solitária.

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