X hits on this document

106 views

0 shares

0 downloads

0 comments

6 / 40

Sintagmas — Professora Ana Vellasco

pronome + substantivo:- esta terça-feira, meu avô, algum país

artigo + substantivo + oração adjetiva: o país em que eu vivo, o livro que você leu, a escola em que você estuda

têm comportamento sintático semelhante, isto é, são portadores de “traços sintáticos comuns”:

podem ser sujeito de uma oração

podem ser objeto direto

podem vir precedidos de preposição e funcionar como adjunto adnominal ou objeto indireto.

Perini acrescenta:

"Uma das funções essenciais das classes de formas (por exemplo, das classes de palavras) é justamente permitir a descrição compacta do comportamento sintático das formas. As quatro formas (dos exemplos acima) deveriam, pois, ser colocadas em uma classe, o que a gramática tradicional não faz; não existe sequer um termo tradicional para essa classe. Aqui utilizaremos o termo “sintagma nominal”, designação consagrada em Lingüística."

A inexistência de uma noção clara do sintagma nominal deixa de considerar uma generalização importante da língua, tratando como coincidência um aspecto estrutural da maior importância: a mesma classe de formas (o sintagma nominal) pode aparecer em diversas funções sintáticas.

Considerando o sintagma nominal como uma classe de formas, podemos analisar e verificar a sua estrutura interna: o sintagma nominal (SN) compõe-se de um substantivo, ou de artigo + substantivo, ou de pronome pessoal, etc., e podemos afirmar que o sujeito é sempre formado de um SN, assim como o objeto direto, e que o objeto indireto compõe-se de preposição + SN (a não ser o objeto indireto representado por “lhe”).

Leia este trecho do romance de João Ubaldo Ribeiro, “Viva o povo brasileiro”.

Texto 2

Viva o povo brasileiro

(João Ubaldo Ribeiro)

Dia lavadíssimo, esta terça-feira, véspera de Santo Antônio, em que Perilo Ambrósio estuprou a negra Daê, mais chamada por Venância. Lavado mesmo, porque choveu até de manhãzinha, chuva grossa, chuvarada como os aguaceiros de verão, nada dessas brueguinhas regelantes que nunca vão embora e ficam ensopando os ossos das criaturas durante os meses de junho e julho, muitas vezes passando por agosto, quantas e quantas vezes entrando mais ou menos por setembro, vindo as primeiras águas desde abril, chuvas mil. E esta ilha, já diziam os antigos, é verdadeiramente o bispote do céu, por assim falar, um ponto que as nuvens escolhem para arrebanhar-se antes de seguir viagem. Desde segunda-feira pelas onze da noite que bateu uma pancada, bateu outra, bateu mais outra, chuva mesmo, das que fazem aluviões, das que levantam um cheiro de terra tão safado que muita gente fica perturbada, os comedores de barro não se agüentando e metendo os dentes até em telhas e cacos de moringa molhados. Logo depois o tempo clareia de repente, o céu aparece com um azul muito levinho, o sol vai esquentando sem ficar tão quente como em fevereiro e o dia nasce desse jeito lavado que todo mundo conhece, a terra e a areia assentadas, as folhas com lustro, o ar limpíssimo,

Document info
Document views106
Page views107
Page last viewedTue Dec 06 17:32:59 UTC 2016
Pages40
Paragraphs1386
Words15238

Comments