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Sintagmas — Professora Ana Vellasco

modificador pode ser um advérbio ou locução adverbial.

Podemos então afirmar que o SN apresenta mais de uma possibilidade de estruturação, isto é, o SN não é fixo, imutável. Ele é formado ora por determinante ( Det ) + núcleo ( N ) + modificador (Mod); ora por N + Mod; ora por Det+ Mod + N + Mod; ora por Det + N. Enfim, não há grande rigidez na sua formação.

É o texto que vai nos ajudar a entender bem todas essas siglas:

os aguaceiros de verão essas brueguinhas regelantes as folhas com lustro o ar limpíssimo muitas novidades em cada canto

Det + N + Mod

chuva grossa

N + Mod

uma certa crença

Det + Det + N

a terra e a areia assentadas

Det + N + Det +N + Mod

grande movimentação de bichos

Mod + N + Mod

uma certa alegria despropositada

Det + Det + N + Mod

Vamos ler o texto em que Jorge Amado descreve as roças de cacau:

Texto 3

São Jorge de Ilhéus

(Jorge Amado)

A sombra das roças é macia e doce, é como uma carícia. Os cacaueiros se fecham em folhas grandes que o sol amarelece. Os galhos se procuram e se abraçam no ar, parecem uma árvore subindo e descendo o morro, a sombra de topázio se sucedendo por centenas e centenas de metros. Tudo nas roças de cacau é em tonalidades amarelas, onde, por vezes, o verde rebenta violento. De um amarelo aloirado são as minúsculas formigas pixixicas que cobrem as folhas dos cacaueiros e destroem a praga que ameaça o fruto. De um amarelo desmaiado se vestem as flores e as folhas novas que o sol pontilha de amarelo queimado. Amarelos são os frutos precoces que pecaram ao calor demasiado. Os frutos maduros lembram lâmpadas de oiro das catedrais antigas, fulgem com um brilho resplandecente aos raios do sol, que penetram a sombra das roças. Uma cobra amarela - uma papa-pinto - acalenta o sol na picada aberta pelos pés dos lavradores. E até a terra, barro que o verão transformou em poeira, tem um vago tom amarelo, que se prende e colore as pernas nuas dos negros e dos mulatos que trabalham na poda dos cacaueiros.

Dos cocos maduros se derrama uma luz doirada e incerta que ilumina suavemente pequenos ângulos das roças. O sol que se filtra através das folhas desenha no ar colunas amarelas de poeira, que sobem para os galhos e se perdem além, por cima das folhas mais altas. Os juparás, macacos plantadores de cacau, pulam de galho em galho, numa algazarra, sujando o oiro dos cacaueiros com o seu amarelo fosco e sujo. A papa-pinto desperta, estira seu dorso cor de gema de ovo, parece uma vara de metal que fosso flexível. Seus olhos amarelos de cobiça fitam os macacos que passam, bando buliçoso e alegre. Caem gotas de sol através dos cacaueiros. Vão rebentar em raios no chão, quando batem nas roças de água lhe dão um colorido de rosa-chá. Como se houvesse uma chuva de topázio caindo do céu, virando pétalas de rosa-chá no chão de poeira ardente. Há todos os tons de amarelos na traqüilidade da manhã nas roças de cacau.

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