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3. HOMOSSEXUAIS SÃO ATROPELADOS NO RIO - page 22 / 47

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anualmente pela população), os evangélicos representarão 50% dos brasileiros em 2019. Como se sabe, o segmento evangélico considera a homossexualidade pecado e doença.  A suposta predominância da religião evangélica no Brasil em 15 anos pode se constituir uma ameaça à inclusão social dos gays brasileiros? O preconceito tende a aumentar? Os poucos direitos alcançados pelos homossexuais brasileiros estão com os dias contados? Apesar do impacto que a notícia traz, há bons ventos sinalizando mudanças. O Distrito Federal ainda não possui igrejas evangélicas para gays, como existem em outros estados, mas a mentalidade dos evangélicos está mudando a partir do maior contato com o público homossexual. A transformação é lenta e por isso a comunidade GLS deve estar atenta na luta de discutir a homossexualidade com todas as camadas da sociedade, evitando sofismas e esclarecendo o tema. O reverendo Caio Fábio, um dos maiores pensadores evangélicos dos dias atuais no Brasil, em sua página na web (www.caiofabio.com.br), ao responder a carta - Será por que é mais fácil sair com homens? - de um garoto que não sabia ao certo ser gay, escreve: "O que caracteriza um gay genuinamente gay é a capacidade de se apaixonar e amar outro homem, não por causa de sexo, mas de amor mesmo". Ele não chega a falar que não se trata de pecado, mas também não afirma. É um pequeno avanço, ainda mais se levarmos em conta que o reverendo está realizando um trabalho todo domingo em Brasília, no auditório do colégio La Salle, com um título bastante sugestivo: O Caminho da Graça. Será o caminho da graça um caminho de consenso e respeito entre as pessoas? A universitária Márcia Cristina é evangélica há mais de 10 anos e não considera a homossexualidade um pecado. Estudante de História na faculdade Projeção, ela e outros amigos realizaram um estudo sobre o homossexual e a igreja como espaço de exclusão e contradição. Utilizando as teorias do pensador francês Michel Foucault, o grupo analisou as práticas sociais a que o homossexual se submete e a lógica da disciplinarização do gay mediante a igreja e a sociedade. Os estudantes abordaram a discriminação e o sentimento que pulveriza o homossexual a práticas sociais definidas por redutos isolados e espaços subterrâneos nos quais ele deve se relacionar e se divertir. Márcia diz que já ajudou um amigo evangélico a sair do armário. Percebendo o estado de desespero do rapaz na igreja, ela o incentivou a assumir sua identidade homossexual e afirma que, hoje, ele está muito melhor. Realmente, há novos ventos no meio evangélico. Prova disso é Andrea Tierno (foto), 31 anos, evangélica, casada, sem o menor preconceito contra os homossexuais. Ela não acha que a homossexualidade seja doença e diz que provavelmente trataria até melhor os homossexuais que freqüentassem a igreja do que "outros irmãos", pelo fato dos gays não serem "mascarados". "Numa igreja, as pessoas devem ser vistas pelo caráter", conclui Andrea. "Não é uma escolha" , segundo a universitária evangélica da igreja Sara Nossa Terra, Léia Alves de Souza, também não considera a homossexualidade um pecado. Ela não crê que seja possível mudar a orientação sexual de um gay por não se tratar de uma escolha. Ela diz que apesar da Bíblia afirmar que Deus não faz separação de pessoas, a igreja evangélica faz, e no caso específico dos homossexuais, um ladrão tem mais compreensão dentro da igreja do que lésbicas e gays. A igreja evangélica pode ainda fazer vista grossa para a questão homossexual, mas alguns de seus adeptos já resolveram abrir os olhos e aceitar a imprevisibilidade do mundo, da sociedade e das relações humanas. [Fonte: Daniel Boaventura- ttp://www.paroutudo.com/colunas/daniel/040926_danielboaventura_evangelicos.htm, 26/09/2004]

5. FAMÍLIAS PROÍBEM CONVIVÊNCIA DE FILHOS COM HOMOSSEXUAIS

CAMPO GRANDE (MS) - A atuação dos movimentos anti-homofobia tem diminuído o preconceito e discriminação aos homossexuais no Brasil, mas a rejeição ainda persiste, por exemplo, no próprio meio educacional, por orientação de algumas famílias de estudantes heterossexuais. Assuntos como este, relativos à homossexualidade, foram discutidos, em Campo Grande (MS), no I Encontro de Gays e Lésbicas do Centro-Oeste. De acordo com o secretário da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros (ABGLT) no Centro-Oeste, Clóvis Arantes, pesquisa da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) apontam que 30% dos pais não permitem, nas escolas, que seus filhos mantenham relações de amizade com alunos que não são heterossexuais. "Esse é um modelo que rotula as pessoas", critica. Atualmente no Brasil 10% da população é formada por homossexuais, cerca de 17,9 milhões de cidadãs e cidadãos.

Mesmo admitindo que a exclusão reduziu no país nos últimos 20 anos, o psicólogo de São Paulo, Cláudio Picazio, especialista em sexualidade, reconhece que ainda há setores na sociedade que pensa que homens e mulheres se tornam homossexuais em função do convívio. "Homossexualidade não se aprende. Não se pega no contato social", explica Picazio. A rejeição sofrida por gays, lésbicas e transgêneros é considerada por Picazio um absurdo. "Ter preconceito em relação a afeto é a coisa mais burra”.A socióloga Ana Maria Gomes, no Núcleo de Estudos de Gênero da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), admite que "os homossexuais enfrentam prisões", porque a sociedade considera suas atitudes como anormais, diferentes do que se estabelece como padrão nas relações de gênero. Além da rejeição social implícita e explícita, os gays e lésbicas ainda enfrentam violência física. Conforme o secretário da ABGLT no Centro-Oeste, Clóvis Arantes, em Cuiabá (capital de Mato Grosso), cinco travestis foram assassinadas este ano. Ele relatou o caso em que cinco adolescentes, também em Cuiabá, agrediram um estudante homossexual, que teve traumatismo craniano. Segundo Clóvis, a escola e a família do agredido foram omissos em relação ao caso. O representante da ABGLT explica que o homossexual sofre "dupla violência" (agressão física e violação da auto-estima). Clóvis reclama que não há políticas públicas específicas, como educação, saúde e justiça, para os homossexuais e transgêneros. "Os adolescentes homossexuais hoje estão fora do mercado de trabalho”. O estudante Fabiano Vagner dos Santos, diretor da Associação Ipê Rosa de Gays, Lésbicas, Travestis e Simpatizantes de Goiás, a primeira legalizada no Centro-Oeste, afirma que na região, em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul,

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