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3. HOMOSSEXUAIS SÃO ATROPELADOS NO RIO - page 24 / 47

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degredado para a África por ordem do bispo de Salvador. Numa época em que a Igreja tinha poder de queimar na fogueira, nenhum gay brasileiro foi condenado à morte. Mesmo durante o pontificado de Pio XII (1939-1958), época de grande moralismo e sexofobia, nenhum de nossos grandes príncipes da Igreja (D. Sebastião Leme, o cardeal da Silva e D. Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota) fez qualquer declaração contra os “filhos da dissidência”. Houve mesmo uma época, a do Pontificado de João XXIII, em que teólogos como o dominicano frei Carlos Josaphat e o redentorista padre Jaime Snoek, seguindo o espírito do Catecismo Holandês, chegaram a defender a virtude e o altruísmo do amor entre pessoas do mesmo sexo. Oh tempora! Foi com Paulo VI, cuja homossexualidade fora revelada pelo escritor francês Roger Peyrefitte, que a hierarquia católica iniciou a cruzada moderna contra os homossexuais. Em 1975, o cardeal François Seper redigiu a “Declaração sobre certas questões de ética sexual”, que embora reconhecendo que a homossexualidade possa levar à “sincera comunhão de vida e de amor”, estabeleceu um sofisma repetido ad nauseam pelo Vaticano: “Os atos homossexuais são intrinsecamente desordenados e não podem em caso algum receber qualquer aprovação.”

Em 1978 João Paulo II é eleito Papa, e, sob influência da ultraconservadora Opus Dei, nomeia em 1981 o teólogo Joseph Ratzinger prefeito da Congregação da Doutrina da Fé. Em “Carta aos bispos" (1986), ele confirma: “O homossexualismo é intrinsecamente mau.” Em 1992, o cardeal Ratzinger radicaliza: “Em certas circunstâncias, não é discriminação injusta impedir a adoção de crianças por homossexuais, afastá-los da função de educadores, treinadores esportivos e no recrutamento militar.”

George W. Bush, homófobo confesso, disputava a Presidência dos EUA e os grupos católicos gays, Dignity e David & Jonathan, eram proibidos pela Cúria Romana. Nesse ano, João Paulo II ratifica: “Os atos homossexuais não podem receber aprovação em nenhuma circunstância.” Roma locuta, causa finita! Insuflados por mensagens tão homofóbicas, alguns bispos brasileiros foram além, com graves ofensas aos homossexuais, fornecendo munição para a homofobia geral. Falam nossos pastores: D. Aloisio Lorscheider, arcebispo de Fortaleza, 1994: “Homossexualismo é uma aberração”. D. Girônimo Anandréa, bispo de Erechim (RS), 1995: “O homossexualismo é desafio contrário às leis da Natureza e do Criador. As uniões homossexuais jamais podem se equiparar às familiares. O bem comum requer a desaprovação e que não lhes sejam atribuído direitos absolutos.” D. Edvaldo Amaral, arcebispo de Maceió, 1997: “É aberração. Um cachorro pode cheirar outro do mesmo sexo, mas eles não têm relação. Sem querer ofender os cachorros, acho que é uma cachorrada! Esta é a opinião de Deus e da Igreja.” D.Lucas M. Neves, cardeal primaz, 1997: “O Projeto de Parceria Civil Registrada é deseducativo e lesivo aos valores humanos e cristãos.” D. Eugenio Sales, cardeal do Rio, 1997-2003: “Os homossexuais têm anomalia. A Igreja é contra e será sempre. Se todos os fiéis são obrigados a se posicionarem contra o reconhecimento legal das uniões homossexuais, os políticos católicos têm o dever moral de manifestar clara e publicamente seu desacordo e votar contra”. D. Silvestre, arcebispo de Vitória, 1998: “Homossexualismo é doença”. D. Eusébio Sheid, arcebispo de Florianópolis, 1998: “É uma tragédia. Gays são gente pela metade. Se é que são.” D. Amaury Castagno, bispo de Jundiaí, 1998-2002: “ A conduta homossexual é em si execrável, como também o são o incesto, a pedofilia, o estupro...” *D. José Antônio Tosi, arcebispo de Fortaleza, 2000: “É um defeito da Natureza comparável à cleptomania, ao homicídio e à irascibilidade.” D. Aloysio Penna, arcebispo de Botucatu, 2001: “Por maior que seja a misericórdia com que a Igreja trata os homossexuais, não pode deixar de pregar que os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados.” Com munição tão pesada, pais e mães repetem: “Prefiro um filho ladrão do que homossexual!” Não é à toa que o Brasil é campeão mundial de assassinato de gays, transgêneros e lésbicas. A cada dois dias um homossexual é assassinado, vítima da homofobia. Nossos bispos devem pedir perdão à Humanidade. Esqueceram-se do ensinamento do “discípulo que Jesus amava”: “Onde há amor, Deus aí está!”

Carta da leitora Marietela campos em resposta ao texto do Mott:

Lamentável o artigo do sr. Luiz Mott. Acusações de falta de caridade são lançadas contra os bispos brasileiros e suspeitas são levantadas contra o sofrido Papa Paulo VI. O homossexualismo divulgado e aceito como natural é companheiro inevitável das épocas de decadência, em que idéias permissivas endereçadas contra a moral natural vicejam em campo fértil. Um povo que foge de compromissos morais e bafeja e aplaude todo tipo de transgressão está fadado à perda de todos os valores. Este comportamento não configura modernidade nem respeito à liberdade humana. É antes produto de educação laxa, que ignora limites. Não se pode dizer que a ligação de dois homens ou duas mulheres seja demonstração de amor. Trata-se antes de sexo desvinculado do amor. Os conceitos vários existem para serem usados adequadamente. O homossexualismo vai contra a moral natural. Fica a pergunta: que seria da multiplicação da espécie humana se o comportamento homossexual fosse majoritário?

Carta do Sr. CARLOS FABIAN SEIXAS DE OLIVEIRA: Li o artigo “Os bispos e os homossexuais” (14/8), do sr. Luiz Mott, e vi o quanto equivocado ele está em relação à Igreja Católica. A igreja como instituição não faz discriminação quanto à opção sexual. Qualquer um pode freqüentar uma igreja sem ser inquerido sobre o que faz entre quatro paredes. O que se discute é que a prática do ato sexual em si entre homossexuais, contra a lei de Deus, do “crescei-vos e multiplicai-vos”.

EYD LÂYNE: As visões limitadas dos leitores Carlos Fabian e Maristela Campos, sobre o tema homossexualidade, são absolutamente homofóbicas. Afirmam sem o menor conhecimento que as uniões entre pessoas do mesmo sexo são desprovidas de amor, decadentes, contra a moral,transgressão, etc. Ao que parece ambos só fazem

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