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3. HOMOSSEXUAIS SÃO ATROPELADOS NO RIO - page 4 / 47

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alguém se atrever a puxar o cabelo de uma cliente, é logo chamado a atenção e até expulso. A boate Nuth, na Barra, foi além. O dono Guilherme Oliveira criou um cartão de sócio para clientes preferenciais e seus convidados. Desconhecidos não entram. Já o empresário Rick Amaral, do Baronneti, elevou o preço da entrada de homens para R$ 70. Passamos a fazer uma pré-seleção na porta para filtrar as pessoas. Os seguranças sabem quem dá problema e alegam, se necessário, que há uma lista para barrá-los naquela noite. É uma desculpa famosa, às vezes verdadeira. Cara brigão é tudo o que eu não quero na minha casa — avisa Amaral. O assédio dos pitboys chegou também aos ensaios do Monobloco, na Fundição Progresso. O músico Pedro Luís diz que evitar brigas foi a principal preocupação da produção das edições do evento, que terminou no fim de fevereiro. Para isso, ele contou com uma média de cem seguranças por noite. Os pitboys ficavam na porta dos banheiros, puxando o cabelo das meninas. A orientação era botar para fora e dizer que eles estavam na festa errada. Essa violência incomoda mais pela discrepância social, pois eles vêm de classes bem informadas. É um fenômeno lamentável na noite do Rio — afirma Pedro Luís. A socióloga Bárbara Soares, pesquisadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) da Universidade Candido Mendes, considera a nova onda de violência praticada por pitboys uma conseqüência trágica do fato de a sociedade alimentar ou tolerar o preconceito e a discriminação:

É interessante entender o motivo pelo qual esses grupos atuam contra outros grupos, como os homossexuais. Parece um artifício para exorcizar os fantasmas da homossexualidade e reforçar coletivamente uma auto-imagem definida por um certo modelo de masculinidade. A delegada Monique Vidal, titular da 12 DP, em Copacabana — que cobre também a área de Ipanema, durante a madrugada — diz que as vítimas precisam fazer valer os seus direitos. Para isso, insiste que elas registrem ocorrência e não desistam das denúncias, indo ao Instituto Médico Legal para fazer exame de corpo de delito: A lei pode ser branda, mas há fatos que podem tornar a pena mais dura. Dependendo da agressão, o ataque pode ser enquadrado como lesão corporal grave e até tentativa de homicídio. Caso sejam mais de quatro agressores, vira formação de quadrilha. Eu garanto que na minha delegacia os casos serão investigados e os agressores, identificados, o que não é difícil. O medo de represália, porém, muitas vezes é maior do que a vontade de punir os responsáveis pelas agressões. E as dificuldades na hora de dar queixa também desestimulam as vítimas. O comerciário Augusto Vieira bem que tentou registrar ocorrência na 15 DP, na Gávea, mas foi informado de que teria que esperar quase duas horas pelo delegado de plantão. Resultado: foi embora. Era madrugada de quarta-feira de cinzas e ele tinha acabado de levar uma surra de sete rapazes na porta do restaurante Manoel & Juaquim, em Ipanema. Fui empurrado, bati com a cabeça no meio-fio e levei pontos na testa e nos lábios, sem falar da hemorragia no olho e dos hematomas no rosto. Tive que faltar ao trabalho três dias. Nunca vi um ato de covardia maior — resume Vieira. [Fonte: Adriana Castelo Branco - Jornal O Globo e LISTAGLS - Direitos Humanos, para todas as pessoas, http://br.groups.yahoo.com/group/listagls/, 14/3/2004]

8. NEONAZISMO VOLTA A ASSUSTAR OS HOMOSSEXUAIS

Os fantasmas do nazi-fascismo voltam a assombrar. Até as almas penadas do Filinto Muller e do Plínio Salgado - que fugiram lá do inferno !!! - encostaram nessa criatura defensora do Integralismo !!! Quem conhece a história, sabe da simpatia que o Filinto Muller e o Plínio Salgado tinham pelo governo de Mussolini e de Hitler e, por conseqüência, pela política de opressão que levou milhares de homossexuais a usar o Triângulo Rosa nos campos de concentração. Em pensar que esse cara, que se diz neto do Filinto Muller, não sente a menor culpa, acho que até sente satisfação, pelas pessoas que - a partir dos anos 20 aqui no Brasil - foram trancafiadas em sanatórios, que foram fichadas e que sofreram com a opressão médico-policial só porque eram homossexuais. Foram pessoas que tiveram suas vidas destruídas, que foram excluídas do direito elementar de ser só porque amavam pessoas do mesmo sexo. Tudo por causa de uma ideologia que defendia que o “homossexualismo” se tratava de uma “doença”. Essa idéia que deixou uma porta aberta à justificativa de que o “homossexualismo” representava uma ameaça a ser extirpada, ou um perigo que devia ser controlado através as instituições destinadas a manter a ordem pública, desencadeando uma série de perseguições que transformou o homossexual em bode expiatório. Num período em que os cientistas - como Lombroso, Marangon, entre outros - contribuíram para que o saber médico ganhasse o poder de agir – apoiado por teorias de que o bom funcionamento da sociedade dependia de um organismo composto por indivíduos saudáveis e que os homossexuais não eram considerados sujeitos saudáveis -, fazendo com que o espaço das instituições médico-jurídicas aprisionassem pessoas em delegacias de polícia e sanatórios. Essas práticas provocaram o exílio de diversos homossexuais da convivência social, apresentados pela medicina como sujeitos com tendências à prática criminosa e anti-social. Ora, por favor, que isso fique no passado, porque só nos resta lamentar pelas pessoas que sofreram com essas arbitrariedades, e que esses crimes não retornem nunca mais para nossas vidas. Mais do que isso, pessoas que defendem idéias como essas, profundamente ligadas à intolerância, contribuem para o desenvolvimento da sociopatia, do desrespeito aos direitos humanos e para o acontecimento de fatos bárbaros como o assassinato de Edson Néris na Praça da República. São os representantes dos fantasmas do passado que retornam para nos assombrar.[Fonte: Arquivo GGB, 9/7/2004]

9. GAYS DE CABO FRIO SÃO AMEAÇADOS EM CARTAZES NO RIO

Em Cabo Frio, Policiais civis e militares de Cabo Frio estão investigando quem espalhou por diversos pontos da cidade cartazes incitando à violência contra gays. Os cartazes, colados em vários postes do município, são assinados por um grupo que se identifica como de extermínio de homossexuais. Os autores das ameaças se dizem revoltados com a

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