X hits on this document

PDF document

ARRÁBIDA E SINTRA: DOIS EXEMPLOS DE TECTÓNICA PÓS-RIFTING DA BACIA LUSITANIANA - page 13 / 27

107 views

0 shares

1 downloads

0 comments

13 / 27

III.1.2. A FALHA DA ARRÁBIDA

A Sul da cadeia, na área imersa, tem sido considerada (Choffat, 1908; Ribeiro et al., 1990; Kullberg et al., 2000, entre outros) a existência de uma falha de direcção aproximadamente E-W,

limítrofe

da

deformação

compressiva

miocénica

e,

simultaneamente, da deformação distensiva mesozóica. A existência da Falha da Arrábida, ainda não reconhecida cabalmente em sísmica de reflexão, é inferida com base na necessidade geométrica de existência de cavalgamentos frontais em frente às dobras abruptamente truncadas pelo mar a Sul da cadeia (p. ex. Albarquel, Portinho da Arrábida e Cabo Espichel), na ausência de deformação compressiva comparável à da cadeia, a sul da mesma, observável nos perfis sísmicos de reflexão e, ainda com base na ausência de repetições estratigráficas nas sondagens de Golfinho e Pescada, localizadas na área imersa a Sul da cadeia (fig. 7).

A Falha da Arrábida constituiria o limite meridional da Bacia Lusitaniana durante o Mesozóico, correspondendo a falha de transferência com a Bacia do Alentejo a sul. Mais ainda, a sondagem Golfinho-1 (Go-1) situada cerca de 13 km a sul da actual linha de costa, nesta bacia, mostra importante diferença de espessura entre os sedimentos mesozóicos de ambas as bacias: cerca de 2500m na região da Arrábida e pouco mais de 1000m na sondagem.

III.1.3. AS RAMPAS LATERAIS EXTERNAS

A cadeia confina nas extremidades oriental e ocidental por rampas laterais, também estruturas herdadas da distensão mesozóica. As falhas normais afectando o soco paleozóico e a cobertura sedimentar mesozóica, que acomodaram a extensão aproximada E-W (Ribeiro et al., 1979, 1990; Kullberg, 2000) da Bacia Lusitaniana, são reactivadas na inversão cenozóica como desligamentos: a) esquerdos nas falhas N-S a NNW-SSE, como é o caso da rampa lateral oriental, a FSPN e, b) direitos nas falhas NW-SE, como será o caso da rampa lateral ocidental, situada presumivelmente a cerca de 5 km na plataforma continental e que poderá pertencer ao lineamento de SSiM. Na FSPN encontra-se intruído o diapiro de Pinhal Novo que tem génese e idade diferente das outras estruturas de tectónica salina atrás referidas, e será muito provavelmente consequência da actividade tectónica na cadeia da Arrábida. De acordo com sondagens e sísmica de reflexão que atravessa a FSPN, tem a forma de um rolo paralelo à falha com cerca de 1,2 km de diâmetro e 5 a 10 km de comprimento, e encontra-se intruído entre o Miocénico e o soco, formando uma almofada de sal no footwall. Segundo Kullberg et al. (2000), o sal ascendeu ao longo da falha (constituindo uma parede de sal) no Miocénico Superior ou mesmo posteriormente. A FSPN constituiu durante o Mesozóico o limite meridional da distensão associada à sub- bacia da Arrábida.

381

III.2. ESTRUTURAS DE INVERSÃO NA CADEIA DA ARRÁBIDA GEOMETRIA E CINEMÁTICA

Como foi referido, aqui existe uma multiplicidade de estruturas geradas ao longo do Mesozóico que serão, algumas delas, reactivadas durante a inversão tectónica da Bacia Lusitaniana no Cenozóico. As estruturas diapíricas da zona central da cadeia não evidenciam reactivação especial, excepto no que concerne o deslocamento, horizontal e vertical, inerente ao movimento da cobertura ao longo dos cavalgamentos e à formação das grandes dobras.

Uma vez que cabe aqui abordar o tema da inversão tectónica cenozóica da Bacia Lusitaniana tomando como exemplo a Cadeia da Arrábida, também não será objecto de abordagem detalhada a estrutura de inversão tectónica precoce de Terras do Risco (a W de El Carmen) datada do Caloviano- Oxfordiano (Kullberg et al., 2000; Terrinha et al., 2002).

Desta forma, com base no Modelo Tectónico da Arrábida apresentado por Kullberg et al. (2000), apenas serão descritas as estruturas de inversão do Cenozóico, da extremidade Sudoeste, o sector menos invertido da cadeia, até ao Nordeste,

  • o

    mais invertido (fig. 7).

    • III.

      2.1. SECTOR OCIDENTAL

Este sector é menos invertido da Arrábida, estando nele incluído o “Monoclinal” do Cabo Espichel, o Horst da Baralha, o Doma da Cova da Mijona e o Diapiro de Sesimbra. Apenas a primeira corresponde a uma estrutura de inversão aflorante à superfície, que efectivamente abrange todo o sector e estará relacionada com outras, interpretadas, nomeadamente um descolamento em profundidade e a Falha da Arrábida na plataforma actual.

  • -

    “Monoclinal” do Cabo Espichel

Trata-se do flanco longo de um anticlinal orientado WNW- ESE, cujo eixo se localiza a sul da actual linha de costa meridional. Este anticlinal corresponderá à estrutural dúctil associada à FA, localizada na plataforma (fig. 8). As unidades estratigráficas afectadas pela dobra, aflorantes do Cabo Espichel para Norte, são do Jurássico superior até o Miocénico.

Se considerarmos o doma da Cova da Mijona, apenas como uma estrutura de interferência, tectonicamente rodada (por dobramento) e translacionada (pelo descolamento basal) com todo o flanco da dobra, obter-se-á o perfil estratigráfico mais contínuo e completo da região (desde os dolomitos do Jurássicos), embora não o mais espesso da série mesozóica na Arrábida.

A amplitude de pendores é substancial e a sua variação muito brusca, diminuindo de Sul para Norte. Da zona de maiores pendores, na extremidade sul do Cabo Espichel, com valores da ordem dos 70ºN, em cerca de 1200m (base do Cretácico em Lagosteiros) passam a ser de aproximadamente 25ºN. 4500m a

Document info
Document views107
Page views108
Page last viewedThu Dec 08 10:22:27 UTC 2016
Pages27
Paragraphs483
Words17493

Comments