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ARRÁBIDA E SINTRA: DOIS EXEMPLOS DE TECTÓNICA PÓS-RIFTING DA BACIA LUSITANIANA - page 15 / 27

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Fig. 8 – Cortes geológicos esquemáticos no monoclinal do Cabo Espichel: 1) posição actual do monoclinal; 2A) posição das séries sedimentares previamente à inversão tectónica; 2B) enquadramento do monoclinal do Cabo Espichel no contexto estrutural mais abrangente para norte e para sul. Adaptado de Kullberg et al. (2000).

Norte do cabo, junto ao limite com o Miocénico basal (praia da Foz da Fonte), as inclinações são da ordem dos 10ºN.

Desta forma, apesar de não se conhecer o perfil completo da dobra é possível afirmar (Kullberg et al., 2000) que não se assemelha ao das dobras assimétricas, que habitualmente exibem flancos longos pouco e regularmente inclinados, diminuindo progressivamente de inclinação próximo da charneira. Aqui, pelo contrário, o flanco longo da dobra exibe um perfil em “pescoço de cisne”, com uma variação muito acentuada e rápida dos valores de inclinação, mais elevados à aproximação da charneira. Esta geometria leva a considerar a hipótese da grande proximidade (a sul) da FA, muito inclinada (provavelmente sub-paralela à maior inclinação da estratificação), em cujo compartimento sul o soco deverá estar localizado a níveis mais elevados, funcionando como um contra- forte (bufareis) relativamente rígido oferecendo resistência à propagação da deformação, ao contrário das unidades sedimentares da cobertura, pertencentes ao hangingwall, mais deformáveis. Este indício é persistente para Este, tal como se verá na análise desse sector.

Algumas inferências parecem então já possíveis de estabelecer, nomeadamente:

i) esta seria uma falha normal da Bacia Lusitaniana, presumivelmente o seu limite tectónico meridional (o que explicaria o seu elevado ângulo de inclinação e o desnivelamento do soco) invertida durante o Cenozóico,

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materializando deste modo a localização da “1ª linha de deslocamentos de Choffat (1908)”;

ii) Apesar da expressiva inversão tectónica decorrente da importante deformação observada a sul, no Cabo Espichel, a inversão não terá recuperado integralmente o rejeito normal da FA;

iii) A vergência regional é para Sul.

III.2.2. SECTOR ORIENTAL

Este é o sector mais invertido da Cadeia da Arrábida. Abrange as 3 linhas de deslocamento definidas por P. Choffat (1908), a 1ª das quais aflora ao longo de uma estreita faixa paralela à actual linha de costa meridional e na Pedra da Anixa (fig. 7). A 2ª linha é constituída pelos anticlinais do Formosinho e do Viso e cavalgamentos associados.

  • Anticlinal e Cavalgamento do Formosinho

Trata-se de um anticlinal assimétrico com cerca de 10 km de comprimento, associado a cavalgamento, com vergência para S. Desde a charneira até o extremo setentrional do flanco normal, afloram todas as unidades litostratigráficas regionais: desde o Lias ao Miocénico, com algumas descontinuidades e discordâncias angulares, principalmente a ausência do Cretácico inferior.

Nesta região afloram de forma persistente falhas com orientação entre N-S a NNE-SSW, que correspondem a falhas normais da Bacia Lusitaniana, algumas reactivadas como desligamento esquerdo ou como rampas laterais dos cavalgamentos durante a inversão tectónica da bacia, formando na região dos cavalgamentos frontais dos anticlinais do Formosinho e do Viso, uma sequência de blocos em dominó, formando duplexes de desligamento, limitados por rampas laterais e rampas frontais (fig. 7). Segundo estes autores, a movimentação lateral esquerda diferencial entre duplexes adjacentes induz deformação cisalhante no interior dos duplexes, que é acomodada por acidentes de menor escala, de tipo cisalhamento esquerdo secundário (Riedel) orientados segundo NNW-SSE, de tipo falha normal orientadas NW-SE e de tipo cavalgamento esquerdo nas direcções sub- perpendiculares à compressão máxima principal (NE-SW, ENE- WSW, E-W). Perpendicularmente à direcção da compressão máxima principal formaram-se duplexes de rampa frontal (fig. 7) (Kullberg et al., 1995b, Kullberg et al., 2000).

No núcleo do duplex do Formosinho, a rampa frontal separa dos domínios geometricamente bastante distintos (fig. 9): 1) no muro um sinclinal fechado, assimétrico, cujo flanco curto junto à rampa se encontra localmente invertido, mostra uma sequência (do Jurássico médio à base do Miocénico) com espessura bastante reduzida e passa bruscamente ao flanco longo, na extremidade meridional do Chão da Anixa; 2) no tecto observa- se uma charneira com grande raio de curvatura, a sequência

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