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ARRÁBIDA E SINTRA: DOIS EXEMPLOS DE TECTÓNICA PÓS-RIFTING DA BACIA LUSITANIANA - page 17 / 27

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da lacuna entre os 17,5 e os 16,5 M.a., ou seja é intra- Burdigaliano superior.

Isto significa também que, num curto intervalo de tempo, a Serra da Arrábida: 1) ter-se-á erguido; 2) o bloco a muro, com o respectivo sinclinal de arraste, foi aplanado; 3) durante algum tempo a superfície da base e a escarpa de falha da rampa frontal terão ficado expostos ao desenvolvimento de actividade bentónica e 4) a sedimentação em bacia de ante-país ter-se-á desenvolvido de forma rápida e em ambiente muito hidrodinâmico, fossilizando uma plataforma de abrasão marinha e a respectiva arriba litoral de origem tectónica.

muito ampla com flanco curto praticamente inexistente no bloco suspenso, aponta para que a geometria do cavalgamento seja em patamar e rampa, o que é compatível com a geometria em duplexes em perfil;

iii) a presença de pelitos evaporíticos na proximidades do cavalgamento favorece a hipótese deles se encontrem injectados nos principais planos de falhas, facilitando o movimento.

iv) a vergência tectónica para sul fica muito claramente estabelecida na estrutura do Formosinho, para Sul, confirmando a inferida para a 1ª linha de deslocamentos a Oeste.

Admitindo que a elevação principal da Serra do Formosinho se terá produzido principalmente em episódio tectónico neste intervalo de tempo (Kullberg et al., 2000), isto é, em 1,0 M.a., e que o bloco a tecto será terá elevado cerca de 3000m (cf. fig. 15, ibid.), a taxa de elevação (uplift rate) terá sido da ordem dos 3,0 mm/ano. Comparando com valores calculados de taxas de elevação actuais em determinados sectores de grandes cadeias de montanha, por exemplo da parte sudoeste dos Alpes (1,5 mm/a. ± 0,3 mm/a., Gubler et al., 1981) e dos Himalaias (~4-6 mm/a., Kumar et al., 2006), verifica-se que as da Cadeia da Arrábida são da mesma ordem de grandeza.

Sintetizando: i) a estrutura do Formosinho está interferida por estruturas pertencentes à 3ª linha de deslocamentos;

ii) a assimetria de estruturas a muro e tecto do cavalgamento do Formosinho aponta para que o sinclinal no bloco de apoio se trate de uma dobra de arraste, e a charneira

  • Anticlinal do Viso

Em mapa, as camadas do Jurássico Médio bastante fracturadas constituem um núcleo completamente contornado pelas camadas do complexo argilo-conglomerático do Jurássico Superior, que se depositaram em discordância sobre aquele núcleo. Este conjunto do Jurássico Médio é formado por calcários e dolomitos mecanicamente muito competentes que actuaram como um bloco rígido e indentador do complexo argilo- conglomerático do Jurássico Superior que, pelo contrário, evidencia comportamento reológico bastante incompetente durante a inversão miocénica (fig. 10a).

A

movimentação vertical diferencial detectada entre estas

duas

unidades

mecânicas

resultou

provavelmente

do

Fig. 10a – Corte geológico perpendicular aos anticlinais de S. Luís e de Viso, respectivamente 3ª e 2ª linhas de deslocamentos de Choffat (1908). A 1ª linha está associada à falha de Arrábida, localizada na área imersa (cf. figura 7).

escape vertical do bloco interior mais rígido, devido à constrição desenvolvida nesta área, a qual pode ter sido acentuada por uma geometria antiga em horst deste bloco do Jurássico Médio, geometria herdada de fases distensivas precoces e que muito provavelmente envolveram o soco (Kullberg et al., 1995, Ribeiro

et al., 1996). Esta interpretação é compatível com os dados de gravimetria trabalhados por Silva (1992), que mostram anomalia de Bouguer positiva centrada nesta região do anticlinal do Viso.

A acomodação da deformação no complexo argilo- conglomerático do Malm produziu uma dobra com terminações

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