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ARRÁBIDA E SINTRA: DOIS EXEMPLOS DE TECTÓNICA PÓS-RIFTING DA BACIA LUSITANIANA - page 18 / 27

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periclinais muito acentuadas, indicadora de escape vertical, com estiramento em “a”, semelhante a uma dobra em bainha (fig. 10b).

Fig. 10b – Esquema da dobra anticlinal de Viso de geometria em bainha, enquadrada por cavalgamentos de orientação ENE- WSW e desligamentos NNE-SSW.

No anticlinal do Viso, a unidade do Jurássico superior exibe espessuras diferentes num e noutro flanco da dobra, por sua vez também diferentes das espessuras observadas nos flancos longos da dobra do Formosinho e da dobra de S. Luís. A espessura no flanco norte do anticlinal do Viso, o menos inclinado, é de cerca de 500 m, enquanto no flanco sul, o mais inclinado, praticamente vertical, a espessura é da ordem dos 800 m. No flanco longo do Formosinho é da ordem dos 1100m e a norte de S. Luís é de cerca de 950 a 1000 m. O perfil restaurado publicado por Kullberg et al. (2000) mostra que o cavalgamento de S. Luís, a Norte, funcionou como falha normal durante o Malm, o que pode explicar a maior espessura da unidade naquele compartimento. Do mesmo modo, uma das falhas do sistema de rampas frontais (ENE-WSW), antigas falhas normais jurássicas sin-sedimentares, poderia justificar a maior espessura do Malm neste flanco do anticlinal do Viso (fig. 10c).

Fig. 10c - Bloco diagrama que representa a compartimentação ocorrida no sector sul da Bacia Lusitaniana durante o Dogger. A verde assinala-se provável limite paleogeográfico irregular

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deste sector da Bacia, a Sul e a Este, respectivamente, das falhas da Arrábida e de Setúbal-Pinhal Novo. Ambos os sistemas extensionais sub-perpendiculares foram responsáveis por assimetrias de espessuras a tecto e a muro das falhas extensionais.

Cartograficamente, observa-se alguma obliquidade (entre 25º e 30º) entre a projecção horizontal do eixo curvo da dobra em bainha do Viso (aproximadamente NE-SW) e os eixos das outras dobras principais deste sector da cadeia (Formosinho e S. Luís, com orientações gerais entre E-W e ENE-WSW), ou seja uma possível rotação sinistrógira da estrutura, sugerindo que o anticlinal do Viso esteja também limitado por rampas laterais que induzem uma rotação no mesmo sentido, tornando- a muito provavelmente independente do duplex do Formosinho.

A ocorrência quase completa da sequência da cobertura sedimentar no flanco inverso sugere a existência duma rampa frontal pouco a sul da actual linha de costa. A maior deformação observada no anticlinal do Viso relativamente à de outros sectores da cadeia pode ser explicada por: i) constrangimentos geométricos locais pois o anticlinal do Viso está no interior de um bloco que é simultaneamente um duplex - em planta - de cisalhamento simples esquerdo e um duplex - em perfil - de cavalgamentos vergentes para sul, formando blocos tridimensionais inteiramente limitados por este tipo de estruturas; ii) deformação progressiva pois este anticlinal foi posteriormente cavalgado pela estrutura de S. Luís ou, ainda, iii) o Jurássico médio ter sofrido um evento de inversão tectónica previamente à deposição do Jurássico superior (Terrinha et al. 2002), tendo assim acumulado dois eventos de encurtamento.

  • Anticlinal e cavalgamento de S. Luís

Estas estruturas materializam a 3ª linha de deslocamentos de P. Choffat (1908), que acrescenta ainda o anticlinal de Gaiteiros e a escama de Palmela.

A Serra de S. Luís corresponde a um anticlinal cujo núcleo é constituído por calcários dolomíticos de idade Lias e Dogger (fig. 10a). É uma dobra assimétrica cavalgante para sul com eixo orientado segundo WSW-ENE. O núcleo Jurássico deste anticlinal que praticamente não tem flanco curto, tal como o do Formosinho, cavalga o Miocénico deformado em sinclinal (Sinclinal de Rego d’Água, cf. Kullberg et al., 1995b), no bloco a muro do acidente. O núcleo do anticlinal conserva a sua estruturação Mesozóica, sendo visível uma sequência de horitas e grabens selados pelas primeiras unidades do Jurássico superior. A unidade de base do Jurássico superior (equivalente à da Brecha da Arrábida observável por exemplo na Pedreira do Jaspe: JÓIA (Manuppella, 1994; 1999) assenta de forma discordante, marcada por superfície de carsificação fossilizada, sobre este conjunto de estruturas distensivas. Restauração de perfil geológico NNW-SSE (Kullberg et al. 2000) põe em evidência a existência de falha normal durante o Jurássico superior, com abatimento para norte, responsável por importante

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