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ARRÁBIDA E SINTRA: DOIS EXEMPLOS DE TECTÓNICA PÓS-RIFTING DA BACIA LUSITANIANA - page 2 / 27

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Olhando para a continuação imersa da Margem Continental Portuguesa vê-se que estes relevos não estão isolados, mas antes fazem parte dum grupo de três outras estruturas compressivas que acomodaram o encurtamento orogénico resultante da colisão África-Eurásia ocidentais no segmento sudoeste ibérico, o Banco do Gorringe, os Montes de Avis e o Planalto de Marquês de Pombal. Todas estas estruturas se constituem como estruturas anticlinais, mais ou menos simples, a tecto dum cavalgamento com transporte para noroeste ou oeste-noroeste (fig. 1b). Na face meridional de Portugal, mais próxima do limite de placas, as estruturas de deformação compressiva resultantes da orogenia alpina encontram-se representadas na Bacia do Algarve e, mais a sul, pelo Banco do Guadalquivir (vide “Bacia do Algarve”, neste volume).

Todas estas estruturas se formaram no âmbito da orogenia alpina, consequência dum contexto cinemático de aproximação das placas litosféricas Eurásia e África, cujas manifestações morfotectónicas e sedimentares se começaram a manifestar no Cretácico Superior após o Cenomaniano. A distribuição espacio- temporal da deformação orogénica no segmento mais ocidental do orógeno é heterogénea e extremamente complexa. Por exemplo, em Portugal – segmento autóctone do orógeno alpino - as principais estruturas compressivas alpinas mais antigas datam do Cretácico superior (na Bacia Algarvia, Terrinha, 1998) e na região de Lisboa-Sintra de idade paleogénica. Contudo as estruturas de maior envergadura morfológica são de idade miocénica (serra da Arrábida, Banco do Gorringe, Montes de Avis) e mesmo de reactivação mais recente (Falha e planalto do Marquês de Pombal, Falha da Ferradura e Banco de Guadalquivir, (Gràcia et al., 2003; Terrinha et al., 2003; Zitellini et al., 2004)).

A mesma heterogeneidade espacio-temporal se verifica em segmentos alóctones como no orógeno Bético-Rifenho, cujo arco orogénico frontal se vem propagando para oeste desde o Cretácico superior, simultaneamente cavalgando para norte e para sul, as margens continentais do sul de Espanha e norte de África. Esta migração orogénica está simultaneamente associada a colapso orogénico e distensão nas áreas internas do orógeno (Mar de Alborán), o que tem constituído um dos paradoxos da deformação orogénica alpina mais desafiantes das últimas décadas e para cuja solução se têm proposto mecanismos de delaminação tectónica da base da litosfera (Platt & Vissers, 1989) ou retro-rolamento da placa subductada (Rosenbaun et al., 2002, Gutscher et al., 2002).

II. ESTRATIGRAFIA

II.1. MESOZÓICO

Do ponto de vista do desenvolvimento tectono-estrutural e das unidades litostratigráficas mesozóicas, estas áreas situam- se no sector meridional da Bacia (cf. “Bacia Lusitaniana” neste volume).

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O facto das unidades aflorantes na Arrábida se encontrarem no extremo Sul da Bacia confere-lhe alguma individualidade que se reflecte em ambientes deposicionais diversos de outras áreas da Bacia. A inexistência de continuidade cartográfica com os outros sectores e, também, nalguns casos, a ausência de bons fósseis de idade, dificultam o estabelecimento de correlações, muitas vezes mesmo entre unidades situadas dentro deste sector. As condições de confinamento, pequena profundidade, fraca circulação de águas nos ambientes marinhos, especialmente de diversos intervalos t e m p o r a i s n o J u r á s s i c o i n f e r i o r e m é d i o , q u e f a v o r e c e u a dolomitos, formação, exemplo, de deve-se por ao

posicionamento paleogeográfico da região no contexto da evolução da Bacia. Esta dolomitização, geralmente secundária, dificulta a execução de cartografia geológica e o estabelecimento de correlações estratigráficas.

Apresenta-se uma descrição sucinta das principais unidades litostratigráficas, com base em Manuppella et al. (1999), mas utilizando as unidades simplificadas de Azerêdo et al. (2003) (até o Jurássico Superior) e Kullberg et al. [in Costa (coord.), 2006)] (figs. 2 e 3).

Fig. 2a – Unidades litostratigráficas utilizadas neste trabalho para

  • o

    Jurássico da região da Arrábida e sua correlação com as de

Manuppella et al. (1994).

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