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ARRÁBIDA E SINTRA: DOIS EXEMPLOS DE TECTÓNICA PÓS-RIFTING DA BACIA LUSITANIANA - page 20 / 27

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A terceira estrutura existente nesta “linha de deslocamentos” é, segundo Choffat (1908), a escama de Palmela; trata-se de uma estrutura de colapso gravítico, decorrente de um gradiente morfológico entre o flanco normal do Anticlinal do Formosinho soerguido no compartimento deformado e o bloco estável a Este. Assim, não é directamente uma estrutura de inversão tectónica, pelo que não será aqui abordada (para outros desenvolvimentos, vide Kullberg et al. 2000).

Mais algumas conclusões parciais podem desde já ser avançadas referentes ao conjunto de estruturas de S. Luís:

i) apresentam geometria e estilo tectónico em tudo semelhantes às do Formosinho;

ii) a vergência continua consistente com as determinadas em todas as estruturas da cadeia da Arrábida;

iii) têm idade posterior às estruturas do Formosinho.

III.3. SÍNTESE E DISCUSSÃO

A cadeia orogénica da Arrábida é formada por empilhamentos de cavalgamentos vergentes para sul, no ante- país da frente de colisão entre as placas África e Eurásia, principalmente representada na Ibéria pela Cadeia Bética, vergente para norte. Segundo o modelo proposto por Ribeiro et al. (1990), os cavalgamentos enraízam num descolamento basal, ao nível dos evaporitos da base do Jurássico, entre as unidades das bacias sedimentares meso-cenozóicas e o soco cristalino. Simetricamente, a norte, ter-se-á desenvolvido o cavalgamento a norte da serra de Sintra, vergente para norte.

Na

Cadeia

da

Arrábida,

  • o

    empilhamento

dos

cavalgamentos fez-se de Sul para Norte, inversamente ao sentido de transporte tectónico, ou seja, uma sequência retrogradante ou de overstep. Verifica-se, através da análise cartográfica e fabrics de deformação (strain fabrics) ainda um aumento da inversão tectónica e da distorção associada de Oeste para Este, provavelmente associados ao efeito de indentação da estrutura de Lisboa, constrangida entre a hipotética falha do Gargalo do Tejo e a FSPN (Ribeiro et al.,

  • 1996)

    .

    • O

      estilo das

estruturas

de

inversão tectónica é

consequência da movimentação cavalgante nas rampas frontais (fault propagation folds), descolando sobre o nível evaporítico da

Formação de pelicular (thin gravimétricas particularmente

Dagorda, ou seja, empilhamento tectónico skinned tectonics). Contudo, as anomalias sugerem algum envolvimento do soco, nas principais estruturas (thick skinned

tectonics) (Kullberg et al., 2000).

  • O

    facto de se tratar principalmente de tectónica pelicular

implica um elevado encurtamento, onde o valor de e = 35% (l0- l/l0 x 100, “l” é o comprimento final e “l0” o comprimento inicial) determinado a partir de perfil balançado efectuado por Kullberg et al. (2000), ao longo da faixa que constitui a cadeia, é

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expectável para este tipo de ambiente tectónico. O valor de encurtamento (“e”) estimado para o sector entre a serra de Sintra e a cadeia da Arrábida é apenas de 6%, evidenciando a concentração da deformação em zonas muito restritas. Mas, apesar do grande encurtamento ao longo da cadeia, a topografia da base do soco não terá sido recuperada, sendo a maior inversão no soco registada no cavalgamento a Norte da serra de Sintra.

Considerando para a Cadeia da Arrábida um intervalo de actuação de 16,5-9,5=7,0 M.a., durante o qual se produziu encurtamento, por sua vez com um valor estimado (a partir do modelo pelicular) de l0 x e =l1, onde e = 0,35 e l1 = 10km (valores atrás referidos), obtém-se l0=15,4km, ou seja um encurtamento de 15,4 - 10,0 = 5,4km. A taxa de encurtamento será então de

5,4 : 7,0 0,8 km/M.a. (= 0,8 mm/ano).

IV. ESTRUTURA E TECTÓNICA DA REGIÃO SINTRA-LISBOA

estrutura IV.1. A TECTÓNICA COMPRESSIVA A e tectónica

da

região

de

Lisboa,

esquematizadas na figura 1a, evidenciam claramente os efeitos da inversão tectónica pré-miocénica e, na região de Sintra, os efeitos da deformação associada à intrusão do Maciço Eruptivo de Sintra ou Complexo Ígneo de Sintra (CIS).

A inversão tectónica miocénica evidentemente manifesta no sector da serra da Arrábida, escassos efeitos teve, comparativamente, neste sector, como pode ser deduzido pela ausência de dobramentos significativos nos sedimentos miocénicos, enquanto os cretácicos e paleogénicos se encontram francamente dobrados e cavalgados. O Miocénico de Lisboa encontra-se apenas suavemente dobrado e discordante sobre as formações anteriores na região de Lisboa e não apresenta relações de corte evidentes com os principais cavalgamentos, embora seja de crer que estes, assim como os desligamentos NW-SE e NE-SW, tenham sido reactivados no Miocénico durante a compressão fortemente experimentada na Arrábida.

  • -

    O Cavalgamento de Sintra e estruturas associadas

    • O

      Cavalgamento de Sintra, de orientação geral E-W na

parte ocidental da região com transporte para Norte é a falha mais notável da região. Na representação cartográfica de Kullberg e Kullberg (2000) (e na carta geológica) esta falha apresenta-se como uma estrutura simples no contacto entre o CIS e o encaixante sedimentar. No limite oriental do CIS o cavalgamento apresenta duplicações e falhas sub- perpendiculares de transferência de movimento do mesmo cavalgamento progressivamente para norte. No segmento oriental da região, entre estas falhas de transferência e o rio Tejo, o cavalgamento não se encontra reconhecido, tratando-se possivelmente dum cavalgamento cego e as dobras sucedem-se

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