X hits on this document

PDF document

ARRÁBIDA E SINTRA: DOIS EXEMPLOS DE TECTÓNICA PÓS-RIFTING DA BACIA LUSITANIANA - page 22 / 27

130 views

0 shares

1 downloads

0 comments

22 / 27

Os diques cónicos podem ser de composição variada, vulgarmente félsicos e encontram-se restritos à parte central do flanco sul do CIS; inclinam no sentido da intrusão, para Norte e Noroeste, ou seja em direcção à intrusão mais recente da série gabro-sienítica. Algumas relações de corte podem ser observadas, indicando que as soleiras precedem os diques cónicos, o que conjuntamente com a sua orientação e o facto de cortarem o granito, sugerir fortemente que se encontrem geneticamente relacionados com a intrusão gabro-sienítica.

Os dique radiais, geralmente máficos e alterados, cortando os radiais, são menos comuns que os anteriores e ocorrem nos sectores centrais da intrusão, a Sul e a Norte da intrusão.

Levantamento gravimétrico (Terrinha et al., 2003 e Terrinha et al., submetido) abrangendo o CIS e o encaixante mostra que

  • o

    Granito de Sintra forma uma soleira cuja espessura actual

média de 0,5 km com máximos não excedendo 1 km, com terminações em bisel sub-aflorantes que se estendem aproximadamente entre 1 km e 2,5 km a Sul e a Norte do encaixante. As rochas gabróicas apresentam uma geometria aproximadamente cilíndrica cujas terminações atingem profundidades da ordem dos 4 km. As estruturas alimentadoras são planares e de direcção NW-SE, NE-SW e E-W, as direcções das falhas existentes na região. Os resultados de Anisotropia da Susceptibilidade Magnética (AMS) são compatíveis com os de gravimetria no que respeita às fontes magmáticas. O corte geológico esquemático da figura 11, realizado à escala, inclui os resultados da modelação gravimétrica e indica um transporte tectónico para Norte com uma componente de 2 km no plano de cavalgamento.

  • O

    afloramento de rochas gabróicas ao longo do plano do

Cavalgamento de Sintra sugere este tratar-se de falha pré- existente, provavelmente distensiva, inclinando para Sul, que poderia constituir o rebordo duma paleo-topografia de onde procederam os transportes de massa hoje observados entre a praia do Guincho e ponta da Abelheira.

IV.3. A TECTÓNICA DISTENSIVA

Menos evidentes são as estruturas associadas à tectónica distensiva, pois na região encontram-se principalmente aflorantes rochas de idades posteriores às fases principais de rifting que ocorreram durante o Jurássico e ao início do alastramento oceânico que, a esta latitude terá tido início no Barremiano-Aptiano (ref). Contudo, no litoral a sul da serra de Sintra, entre a praia de Guincho e a ponta da Abelheira, podem observar-se algumas estruturas extensionais no Jurássico superior de direcção NW-SE e NE-SW, assim como a evolução de fácies associada à distensão e subsidência desta época, onde se exibem magníficos exemplos de depósitos de massa interestratificados com hemipelagitos. Estes depósitos estão certamente associados a diferenciais topográficos importantes gerados pela fase distensiva do Jurássico superior, não sendo, porém óbvia o local de procedência dos mesmos. (Ellis, 1984)

390

propõe com base em observações de campo que o transporte sedimentar se tenha feito de Oeste para Este. A geometria sub- ortogonal entre falhas de direcção que varia entre N-S a NNE- SSW e E-W a ENE-WSW que se verifica em diversas estruturas maiores da Bacia Lusitaniana, como por exemplo no sector de Arrábida e Montejunto – Torres Vedras, sugere que o mesmo padrão se possa apresentar na região de Lisboa-Sintra, onde as falhas E-W seriam a Falha do Gargalo do Tejo, e a possível falha normal que deu origem por inversão tectónica ao Cavalgamento de Sintra; as falhas de direcção N-S seriam as que se apresentam no mapa da figura 1a (por exemplo a Falha se Setúbal-Pinhal Novo ou as falhas de transferência do Cavalgamento de Sintra). Contudo, a aplicação deste modelo geométrico para a região de Lisboa carece ainda de consubstanciação factual.

  • IV.

    4. MODELOS PARA O LINEAMENTO SINTRA-SINES-MONCHIQUE

    • O

      lineamento constituído pelas intrusões de Sintra, Sines e

Monchique é certamente um exemplo paradigmático da evolução da incerteza entre o mito e o facto na geologia de Portugal. A proposta de que este lineamento pudesse corresponder a uma falha profunda que os relacionasse aos três, remonta, pelo menos, ao trabalho de Mendes (1968). Neste seu trabalho pioneiro em Portugal sobre datações geocronológicas, utilizando o sistema do Rb/Sr, o autor não avança hipóteses tectónicas sobre a formação ou cinemática desta estrutura nem mesmo mecanismos de intrusão. Este passo conceptual foi dado posteriormente em Ribeiro et al. (1979) que propôs que a Falha Sintra-Sines-Monchique (FSSM) se tivesse formado como desligamento direito, contemporaneamente com a rotação sinistrógira da Ibéria durante o Cretácico.

Este autor observou ainda que as formas aflorantes elípticas das três intrusões, alongadas segundo a direcção E-W, estariam relacionadas com os mecanismos tectónicos de controlo das intrusões: as intrusões teriam ocorrido em locais onde a falha NNW-SSE tivesse intersectado as falhas conjugadas NE-SW e, o alongamento segundo a direcção E-W resultaria da soma da deformação cisalhante dextrógira na falha NNW-SSE com uma componente extensional E-W, resultante duma distensão remanescente E-W do rifting da Margem Oeste Portuguesa (Ribeiro et al., 1979 e com. pess.). Este autor propõe ainda, pela primeira vez, que a existência duma quarta intrusão neo-cretácica no Banco de Guadalquivir, localizado no offshore, aproximadamente 100 km a Sul de Faro, onde se haviam dragado amostras de flysch Carbónico da Zona Sul Portuguesa com evidências de metamorfismo epitermal.

Mougenot (1980-81) propôs que a FSSM fosse descontínua, formada por segmentos escalonados, unidos por falhas de conexão (relay faults) de orientação E-W, ao longo das quais se teriam instalado as intrusões, daí resultando a sua

Document info
Document views130
Page views131
Page last viewedSat Jan 21 11:18:29 UTC 2017
Pages27
Paragraphs483
Words17493

Comments