X hits on this document

PDF document

ARRÁBIDA E SINTRA: DOIS EXEMPLOS DE TECTÓNICA PÓS-RIFTING DA BACIA LUSITANIANA - page 23 / 27

96 views

0 shares

1 downloads

0 comments

23 / 27

forma E-W, durante o evento compressivo do Cretácico Superior.

Fig. 11 - Corte geológico esquemático, realizado à escala, incluindo os resultados do levantamento gravimétrico realizado (Terrinha et al., 2003 e Terrinha et al., submetido). O granito (~82 Ma) de Sintra apresenta-se como um lacólito não excedendo o quilómetro de espessura, intruído por corpos

verticais da sequência gabro-sienítica (~74 Ma).

Kullberg (1985) propõe que a forma elíptica dos maciços fosse a materialização da elipse de deformação finita associada à instalação dos maciços de Sintra, Sines e Monchique, resultando a sua forma elongada da compressão N-S contemporânea da instalação dos mesmos no Cretácico Superior (~72 Ma).

Em 1996 (A. Ribeiro, com. pessoal) nota que, analisando a carta de anomalias magnéticas de Portugal continental e da Margem Continental, os dipolos magnéticos relativos às intrusões de Sintra, Sines e Monchique têm continuação no offshore, a sul até ao Banco de Guadalquivir e, a Oeste, entre Sintra e o Monte Submarino de Tore, encontram-se cinco dipolos magnéticos. Deste modo, ficava estabelecido um novo lineamento Tore-Sintra-Sines-Monchique, de aproximadamente 700 km. Este lineamento de anomalias magnéticas, contém

391

afloramentos de várias intrusões de rochas alcalinas de aproximadamente 72-74 Ma, além de Sintra, Sines e Monchique, Mougenot (1989) refere ainda rochas dragadas e datadas do offshore entre Sintra e Tore. Com base nestes factos A. Ribeiro (com. pessoal 1996 e Ribeiro et al. 1996, Ribeiro et al. 1997 e Ribeiro 2002) propõe que o impacto meteorítico que poderá ter formado a cratera do Monte Submarino de Tore (segundo Laughton et al., 1975) teria simultaneamente produzido uma fractura profunda, de direcção WNW-ESE, que se refractaria ao propagar-se em direcção à litosfera continental estirada (região de Sintra) e não estirada (regiões de Sines e Monchique) aproximando-se da direcção NNW-SSE. Alternativamente, esta fractura, ao atingir a crosta continental encontrar-se-ia com estruturas herdadas da tectónica paleozóica e mesozóica, no caso presente, com as falhas de direcção NNW-SSE na região de Sintra- Arrábida e N-S na Margem Sul Portuguesa (Falha de Portimão) (Terrinha, 1998, Terrinha et al., 1999).

Terrinha (1998) propõe, baseado nas interpretações de origem profunda, eventualmente a nível astenosférico, dos magmas alcalinos, segundo (Rock, 1982 e Martins, 1991) e na ausência de evidência da FSSM entre a Serra da Arrábida e o limite setentrional da Bacia do Algarve, que a FSSM seja uma estrutura profunda tardi-varisca, que tenha apenas atingido os níveis crustais superficiais por reactivação durante os processos de rifting e, por isso apenas seja observável no interior da Bacia Lusitaniana (Zona de Falha Sintra-Arrábida) e na Bacia Algarvia (Falha de Portimão). A FSSM funcionando como desligamento dextrógiro durante a compressão N-S do Cretácico superior, facilitaria a ascensão magmática profunda em zonas de curvas de relaxamento (releasing bends). Na crosta superior a FSSM apenas atingiria os níveis superficiais em Sintra (onde a intrusão de 74 Ma, gabro-sienítica alcalina tem efectivamente elongamento segundo NNW-SSE), provavelmente terminando- se na crosta inferior num eventual nível de descolamento de falhas, sendo daí para os níveis crustais superiores, o magma conduzido através das falhas de direcção aproximadamente E- W comuns na Margem Portuguesa.

A forma lacolítica da intrusão do Granito de Sintra, que apresenta lineação de Anisotropia da Susceptibilidade Magnética segundo a direcção ENE-WSW é compatível com propagação do lacólito segundo esta direcção eventualmente contemporânea duma compressão perpendicular, i.e. NNW-SSE durante a instalação (Santoniano, ~82Ma) (Terrinha et al., subm.; Roman-Berdiel, 1995). Os mesmos dados e os de gravimetria apontam para que o magma granítico e, posteriormente o gabro-sienítico (~74 Ma), tenham ascendido não apenas ao longo da FSSM, mas também ao longo das NE- SW e das E-W (fig. 11).

No que respeita à forma tridimensional, a forma lacolítica proposta por Kayser (1914) para o Complexo Alcalino de Monchique, não se procederam ainda aos estudos necessários

Document info
Document views96
Page views97
Page last viewedSun Dec 04 02:35:59 UTC 2016
Pages27
Paragraphs483
Words17493

Comments