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ARRÁBIDA E SINTRA: DOIS EXEMPLOS DE TECTÓNICA PÓS-RIFTING DA BACIA LUSITANIANA - page 3 / 27

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A unidade aflorante mais antiga é a Formação de Dagorda, constituída por pelitos vermelhos e esverdeados, contendo gesso e sal-gema, de idade Triásico Sup.- Hetangiano/Sinemuriano(?). Aflora no interior do diapiro de Sesimbra e é injectada de forma descontínua nos planos de cavalgamento associados aos anticlinais de Formosinho, S. Luís e Gaiteiros. No topo desta unidade, na transição para as unidades carbonatadas sobrejacentes, está intercalado um Complexo Vulcano-Sedimentar (70 m), constituído por alternância de rochas eruptivas de natureza oolítica, de tufos vulcânicos argilosos e pelitos com gesso e dolomitos (Martins, in Manuppella et al., 1999). Trata-se da única evidência de vulcanismo de natureza sub alcalina, oolítica, com idade entre 180-200 M.a. (cf. Martins em “Bacia Lusitaniana”, neste volume), registada na Bacia Lusitaniana.

A Formação de Sesimbra [Sinemuriano (?)-Toarciano Méd.] (110 m) (Azerêdo et al., 2003) (= Dolomitos de Sesimbra + Margas dolomíticas e calcários dolomíticos com braquiópodes da Meia Velha, Manuppella et al., 1999; = Margas e dolomitos de Meia Velha e Sesimbra, Kullberg et al., 2006) confirma o carácter proximal da sedimentação, composta por camadas de margas passando a calcários bioclásticos por vezes dolomíticos para o topo, com abundantes faunas de lamelibrânquios e de braquiópodes; regista-se no topo desta unidade uma das raras ocorrências de amonóides. Nesta posição ocorre nível de conglomerados carbonatados intraformacionais (flat pebble conglomerates), uma das raras ocorrências a nível mundial deste tipo de depósitos, que correspondem provavelmente a paleo-sismitos que evidenciam deformação sinsedimentar de origem tectónica (Marques et al., 1994; Manuppella & Azerêdo, 1996; Kullberg et al., 2001).

A Formação de Achada [Toarciano Méd.(?)-Sup. a Batoniano Méd.] (250 m) ( (Azerêdo et al., 2003; Kullberg et al., 2006) (= Dolomitos de Califórnia + Margas, calcários oolíticos e dolomitos com Gervilia + Dolomitos do Convento de S. Luís + Dolomitos de Cabo de Ares, Manuppella et al., 1999) é uma unidade predominantemente dolomítica, com intercalações margosas dolomíticas, por vezes com níveis de calcários oolíticos. As fácies indicam a persistência de condições deposicionais de meio margino-marinho, muito pouco profundo e confinado (Azerêdo et al., 2003). Cartograficamente, o topo desta unidade mostra uma clara irregularidade da frente de dolomitização secundária, atingindo certamente parte dos carbonatos da unidade sobrejacente. Estas constituem as unidades de resistência dos núcleos de relevos conformes associados aos principais anticlinais na região da Arrábida.

A Formação de Pedreiras [Batoniano Sup.-Caloviano Inf. (?)] (variável entre cerca de 250 m a Este, na Serra da Arrábida até cerca de 50 m na região de Azóia, a Oeste) (Azerêdo et al., 2003; Kullberg et al., 2006) (= Calcários de Pedreiras, Manuppella et al., 1999) regista o início de um novo período de invasão marinha, ainda que confinada. A grande variação de

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espessura é, em parte, atribuível à dolomitização secundária que irá colocar, cartograficamente, parte desta unidade na subjacente.

As Unidades de Azóia e de Arrábida [Oxfordiano Méd. (?)-Kimeridgiano] (cerca de 400 m) (Kullberg et al., 2006) (= Margas, argilas, conglomerados e calcários com calhaus negros da Arrábida (1) + Calcários de Azóia (2) + Calcários com grés intercalados do Risco (3) + Dolomitos de Forte da Baralha (4), Manuppella et al., 1999), fossilizam a descontinuidade à escala bacinal do Caloviano-Oxfordiano, através da unidade informal da “Brecha da Arrábida” (=1) que aflora especialmente na metade oriental do sector da Arrábida; trata-se de conglomerado carbonatado polimítico, com matriz argilosa vermelha, cuja génese está associada a um carso imerso (Wright & Wilson, 1987). Sucedem-lhe níveis de margas e calcários lacustres, com carófitas, que evidenciam um aprofundamento da Bacia, tal como sucede noutros locais mais a Norte, com a deposição da Formação de Cabaços. A falta de ligação cartográfica e a ausência de bons fósseis estratigráficos dificultam a relação estratigráfica entre estas unidades e, mais uma vez, a dolomitização secundária é passível de induzir posicionamentos estratigráficos duvidosos, como aliás admitem Manuppella et al., (1999); com efeito, a posição geométrica – e aparentemente estratigráfica - “alta” dos Dolomitos de Forte da Baralha deve-se à sua ocorrência em alto estrutural limitado por falhas normais activas durante o topo do Jurássico Médio, que foram fossilizadas pelas unidades da base do Jurássico Superior, conferindo aparente equivalência lateral a estas unidades (Kullberg et al., 2000).

Na região de Sintra-Cascais as unidades do Mesozóico que afloram são apenas as do Jurássico Sup. e Cretácico Inf. (figs. 2 e 3). As do Jurássico Sup. apresentam maiores afinidades com as unidades situadas a Norte, apesar de se encontrarem parcialmente transformadas por metamorfismo de contacto relacionado com a instalação do Complexo Ígneo de Sintra. A Formação de S. Pedro será equivalente distal das “Unidades de Azóia e de Arrábida”.

  • -

    Unidades de Comenda e de Vale da Rasca + Arenitos

e Argilas de transição + Calcários grés e margas de Espichel (de Este para Oeste) [Kimeridgiano-Titoniano] (variável lateralmente, de Oeste para Este, entre 600 e 1000 m) (Kullberg et al., 2006) (= Calcários, margas e grés de Espichel + Conglomerados da Comenda + Argilas, grés e conglomerados e calcários de Vale da Rasca, Manuppella et al., 1999). Estes últimos autores datam, com reservas, as unidades situadas a oriente, que não contêm restos faunísticos que permitam a sua datação, mas consideram que, por posicionamento geométrico, estão enquadradas entre o Kimeridgiano e o topo do Titoniano, posição com a qual concordam Kullberg et al. (2006). O conjunto destas unidades, que apresenta afloramento contínuo da extremidade oriental na Serra de Gaiteiros até à ocidental na região do Cabo Espichel-Lagosteiros, constitui um dos melhores

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