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ARRÁBIDA E SINTRA: DOIS EXEMPLOS DE TECTÓNICA PÓS-RIFTING DA BACIA LUSITANIANA - page 5 / 27

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atribuível à base do Berriasiano, 10 formações predominantemente carbonatadas (fig. 3) 7 de sin-rift (até ao topo da Formação da Cresmina, Barremiano superior – Aptiano superior) e 3 de pós-rift (mais o Cenomaniano); as primeiras atingem espessura um pouco superior a 600 m e as segundas cerca de 850 m.

Na Arrábida, no corte a Norte do Cabo Espichel, as formações identificadas pertencem praticamente apenas ao intervalo de sin-rift e não ultrapassam espessura de 320 m; as unidades que se sucedem (Formações de Rodísio e Galé ?, Aptiano superior - Albiano) têm cerca de 30m, aflorantes na zona da praia da Foz da Fonte, terminam em descontinuidade (discordância angular da ordem de 10º) com unidades da base do Neogénico, pertencentes à Bacia do Baixo Tejo.

Fig. 3 – Unidades litostratigráficas para o Cretácico da região de Cascais-Sintra e Arrábida segundo Rey (2006) no prelo.

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II.2. CENOZÓICO

A Bacia do Baixo Tejo funcionou em regime endorreico no Paleogénico. Acumularam-se, essencialmente, depósitos de leques aluviais alimentados a partir dos relevos marginais (maciço Hespérico e Bacia Lusitaniana em inversão). Estes materiais afloram na margem da bacia, constituindo uma banda quase contínua, rodeando-a por completo. Em Lisboa-Península de Setúbal, constituem a Formação de Benfica, no sector intermédio a Formação de Monsanto, na área proximal, a Formação de Cabeço do Infante e na margem sul da bacia a Formação de Vale de Guizo. São constituídos, predominantemente, por depósitos grosseiros, conglomeráticos, a que se associam alguns corpos arcósicos mais finos, crostas calcárias às vezes bastante desenvolvidas e, mesmo, alguns calcários lacustres e/ou palustres.

  • O

    Atlântico invadiu a bacia no início do Miocénico. A partir

de então, a sedimentação na região de Lisboa e da Península de Setúbal ocorreu na interface oceano-continente, com oscilações da linha de costa dependentes das variações do nível do mar e dos efeitos da tectónica.

II.2.1. PALEOGÉNICO Os primeiros

depósitos

de

enchimento

da

BBT

correspondem à Formação de Benfica (Zbyszewski, 1963). É constituída por depósitos continentais, atingindo cerca de 400m de espessura. Os estudos litostratigráficos são, essencialmente, devidos a Choffat (1950) que a reportava ao Oligocénico, atendendo à posição entre a “Formação basáltica” subjacente, suposta eocénica, e o Miocénico inferior. Tendo em conta novas datações de unidades eocénicas e observações de campo, comprovou-se o carácter heterogéneo da Formação de Benfica e, por correlação com o Eocénico superior de Coja, pós- fase paroxismal pirenaica, foi evidenciada a datação do Eocénico (médio ? e superior) e Oligocénico (Antunes, 1979; Reis et al.,

2001). Por

analogia

e

enquadramento

estratigráfico,

os

sedimentos em causa podem ser correlacionados com os da etapa paleogénica representada no bordo N e NW da depressão do Tejo, bem como nas regiões de Arganil, Coimbra e Nazaré, onde há referências precisas do Eocénico [(Formação do Bom Sucesso, Arcoses de Côja (Reis & Cunha, 1989)].

A Formação de Benfica assenta em descontinuidade sobre

  • o

    “Complexo vulcânico de Lisboa-Mafra” (Cretácico superior), do

qual retoma materiais. Nalguns locais, contacta directamente

com

  • o

    Cenomaniano.

Superiormente,

é

limitada

por

descontinuidade, ou passa gradualmente, aos sedimentos marinhos do Miocénico inferior (Aquitaniano). Com efeito, a base dos sedimentos marinhos sobrejacentes regista uma superfície transgressiva cuja expressão estratigráfica e cronológica é bastante imprecisa.

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